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Preciso Falar – Comportamento e ética industrial nas escolas privadas de grande porte.

Visualize um lugar, com diversas pessoas se dedicando à uma mesma atividade que gerará um produto específico. Neste lugar, qualquer tentativa de desvirtuar o trabalho, ou seja, ócio, será punida com expulsão. Os indivíduos deste espaço estão privados de conversar entre si, cantar, assobiar, pentear-se, brincar, ler, comer. Eles precisam chegar em um horário especifico, e se, por acaso, houver atrasos, serão punidos. O momento de comer são de rígidos trinta à quarenta minutos, tendo que retornar aos seus postos assim que o sinal tocar. Se houver atrasos, novamente, serão punidos. Sua ocupação é exercida até o fim do expediente, geralmente de cinco à seis horas. Qualquer tentativa de subverter esse sistema é encarada como dissidência e punida com privações.

O leitor pode ter imaginado uma fábrica europeia do século XIV, mas o cenário que construímos é muito mais real e próximo do que as indústrias. Estou falando das salas de aula, em especial das com ar condicionado que as grandes escolas privadas mantém, as do Ensino Médio privado.

Quando descrevemos da maneira do primeiro parágrafo, acredito que o sistema educacional privado brasileiro parece mais assustador do que é na prática. O objetivo é estabelecer uma comparação entre o sistema das escolas brasileiras privadas com o adotado nas fábricas da industrialização europeia e trazer uma verdade que, muitas vezes, é difícil de compreender: “a escola é um ambiente de socialização para o trabalho fabril”. O que isso significa? Significa que os seus filhos estudam para trabalhar e, o pior, já estão trabalhando.

O trabalho fabril é exercido no objetivo de conseguir um produto. Esse produto não é desejo do trabalhador, é exigência da empresa, é ela quem quer produzi-lo. E que produto o estudante tem produzido, e que não é do seu interesse? As notas que sua escola colocará num outdoor.

O marketing das escolas privadas brasileiras modernas está, em sua maioria, resumido a expor cartazes de alunos sorridentes acompanhados de um “1° lugar” em algum concurso público. As escolas privadas expõe suas taxas de produtividade superiores na região, divulgando quantos alunos ingressaram em universidades, e quais as suas respectivas notas. E você pensa que isso é para valorizar os alunos que, com muito esforço, conquistaram seus devidos resultados? Não, o objetivo das empresas da educação é apenas um, conseguir mais contratantes para pagar por seu serviço. E elas o conseguem oprimindo educadores e educandos, forçando um sistema cujo o objetivo não é colocar seu filho na universidade, mas conseguir notas elevadas para o status da empresa. Você literalmente está pagando para seu filho ser escravo.

Há quem vá culpar o professor e os coordenadores pelos abusos cometidos no ambiente escolar privado. Mas o verdadeiro agente da opressão não é os educadores que, deixando claro que falo do sistema privado de educação, já possuem uma visão transformada de pedagogia, e buscam construir conhecimentos novos e promover debates em sala de aula. Os educadores, nesta circunstância, como o aluno, são oprimidos. Por quem? Pela administração escolar.

É preciso esclarecer, o sistema que aqui está sendo destrinchado é o usual das escolas privadas de grande porte, especificamente da cidade de Fortaleza, que possuem indicadores assombrosos de ingressão em vestibulares, com altas colocações por sinal.

O que é jogado para você no outdoor é apenas o resultado, o 1° lugar em Medicina, mas o que as instituições escondem é todo um sistema de restrição e opressão para conseguir o produto final, que gera a ótima colocação.

O aluno, como todo trabalhador, prefere o ócio. Para ele, é mais atrativo se divertir que estudar. Mas essas escolas poderosas precisam que seus alunos sejam nota mil, passem as férias, garantia constitucional, “se reciclando”, ou seja, estudando. E esse investimento maciço em criar “estudantes estudiosos” não está relacionado ao acumulo de conhecimento cientifico e social, ou à construção de um profissional qualificado para o mercado de trabalho. Essa realidade se torna visível ao observarmos o que esses estudantes realmente chamam de “estudo”. Noventa por cento do “estudo” dos alunos do Ensino Médio privado, especialmente de segundos e terceiros anos, é resolver questões de vestibulares. E podemos ter plena convicção de que isso não traz nenhum conhecimento.

Então você diz, “Isso é para que ele ingresse na universidade”. De fato, o aluno se esforça para ingressar na universidade. Os professores e coordenadores buscam o mesmo. Mas a administração da escola diz o seguinte “Esses alunos precisam tirar notas ótimas nos vestibulares, para que nós possamos ter garantido nossa sobrevivência no mercado”. A nota, resultado do esforço do seu filho, vai ser usada para que a empresa educacional lucre mais ainda.

E como podemos averiguar que as instituições privadas de ensino estão realmente forçando os alunos a ter boas notas, a fim de divulgar seus resultados como se o mérito fosse da instituição? Olhe ao seu redor, veja as propagandas, os outdoors. Não se fala do sistema escolar, de como a escola trabalha, dos seus projetos, seu diferencial, mas sim das notas. Não se fala do meio, se fala do fim, porque para essas escolas, e para você, pai e mãe, o que importa é o fim, não o meio. Mas para o seu filho, o meio vale anos de dedicação, de privações, vale a construção de um futuro cidadão, cuja formação é alienada à função de operário, ignorado todo seu potencial sociocultural e científico, servindo ao mesmo ritmo que foi quebrantado na escola.

A problemática fica evidente, e até grotesca, na formação de turmas avançadas, com objetivo de alcançar determinados vestibulares, ou que assinam compromissos de participar de olimpíadas. Estudantes dessas mesmas turmas avançadas não ganham valor nenhum a mais no mercado, porém, através do falso discurso de que serão melhor instruídos para os vestibulares, são usados como ferramenta para os reais objetivos da empresa, alcançar resultados que atrairão novos contratantes.

Reportagens de 2015 evidenciam que as três escolas fortalezenses colocadas como entre as vinte escolas com melhores resultados no ENEM 2015 possuem permanência de apenas 20% dos alunos. Ou seja, 80% dos alunos foram matriculados no ano do vestibular. Outras reportagens denunciam instituições escolares que usam dois registros, sendo um para os alunos de turmas avançadas, e outro, para os demais alunos, fraudando assim o ranking do ENEM. A situação ficou tão extrema que, em decisão honrosa, em 2017, o Ministério da Educação optou por, finalmente, descartar o ranking do ENEM, usado apenas para a propaganda das grandes escolas privadas.

Infelizmente há o conceito do grande culpado ser o professor, ele é o opressor. Mas essa visão está equivocada. O opressor é o sistema, sistema esse construído pelos administradores das empresas da educação, cujo objetivo é produzir e gerar lucro. As salas de aula jamais serão democráticas se persistirmos nesse ambiente escolar em que as grandes empresas educacionais impõem aos alunos o dever de conseguir elevadas notas em vestibulares, alegando que o aluno de sua escola tem bons resultados. E, após que o resultado é obtido, divulgarem a nota alcançada como mérito da escola, quando o verdadeiro merecido é o aluno. O aluno não é beneficiado pelo sistema da “escola benevolente”, ele é quem conquistou seu direito de ingressar na universidade, direcionado pelo educador, o único com quem o mérito deve ser compartilhado.

Apesar dos avanços, o comportamento empresarial dos educandários privados vai persistir, por conta da mentalidade de seus administradores, que pressionam os funcionários para que tomem posturas mais duras em sala de aula, a fim de conseguir o produto desejado.

Você paga a escola. Se ela ensina seu filho para ele passar na universidade, é obrigação dela. Mas passar na universidade é ação do seu filho. Ele precisa querer, ele precisa escolher o que cursar, e se esforçar para tirar a nota necessária para ingressar no desejado curso.  A escola não tem direito de expor seu filho e a nota que ele conquistou, como fruto do seu sistema repressor e abusivo, que tirou tardes, noites e até madrugadas do seu filho, um tempo que ele poderia ter dedicado à verdadeira produção cientifica, cultural e social.

Resguardados por lei o dever da educação para fins de mercado de trabalho e formação social, as escolas privadas de alto porte tem se desviado do fim de gerar bons profissionais e cidadãos e se dedicado à obtenção de notas elevadas em vestibulares. O sucesso de uma escola deveria ser atribuído ao nível de satisfação dos seus clientes e funcionários, ou seja, alunos e educadores. Uma escola com alunos que desejam abandonar o estudo e professores desestimulados, mas que possui alta aprovação no ENEM, não é uma escola, é simplesmente mais uma empresa que busca vender seu produto.

Uma educação falsa está sendo vendida neste país, tome cuidado aonde você coloca seu filho, pois a nota alta que ele será pressionado a conseguir vai contribuir para as estáticas de aumento de depressão, insatisfação com a vida, abandono do estudo e pior, suicídio.

Precisamos tornar a escola um ambiente atrativo, para educandos e educadores. Mas para isso é de importância minar o poder de administradores que desejam impor seu anseio por produtividade, e favorecer empresas educacionais com verdadeiro compromisso de construção do aluno como profissional e cidadão. Escolas que busquem o sucesso do aluno, não o seu próprio.

Os pais precisam monitorar as atitudes das instituições de ensino. Os alunos e educadores precisam ter abertura para dialogar com a direção sobre os problemas que encontrarem, e a direção precisa ouvi-los e investir para que o ambiente torne-se agradável à educação. Quanto ao Estado, deve aprovar leis e políticas que inibam a permanência e o surgimento de mais empresas desumanas para o mercado educacional. Precisamos “desostilizar” as salas de aula, pois um ambiente hostil ao aluno e ao educador, é hostil a educação.

Brexit – Reino Unido sai da União Europeia.

Brexit – Reino Unido sai da União Europeia.

Esse final de semana foi bem agitado para a política internacional. Em plesbicito, realizado na quinta-feira (Dia 23/06) e tendo resultado divulgado na sexta-feira (Dia 24/06), a população do Reino Unido declarou insatisfação com a União Europeia e decidiu que o país não permanecerá no bloco econômico. Angela Merkel, a chanceler alemã, François Hollande, presidente da França, assim como o primeiro-ministro da Itália e inúmeras outras autoridades da Europa estão reunidas hoje para discutir o Brexit, junção das palavras do inglês “Britain” (Grã-Bretanha) e “exit” (Saída), usado para nomear a saída do país do bloco econômico.

 

Mas por que um país deixaria a União Europeia, que, na cabeça de um latino, é tão rica e produtiva para o crescimento da Europa? As razões confundem-se, mas tudo na política é parte de um processo, e não foi do nada que uma das nações mais poderosas do mundo e da União Europeia decidiu simplesmente sair de um bloco que, até agora, nunca tinha perdido um membro.

Primeiramente, precisamos entender o que é o Reino Unido. (Essa foi uma pergunta que me fizeram muito no final de semana) Reino Unido é um Estado soberano formado por quatro nações: A Escócia, a Inglaterra, a Irlanda do Norte e o País de Gales. Para explicar melhor, são quatro nações distintas, com primeiros-ministros próprios, cultura própria e até diferenças judiciais, mas todas são unificadas debaixo do mesmo chefe de Estado e do mesmo parlamento. Todas as nações do Reino Unido são subalternas a uma monarquia constitucional reinada por Elizabeth II e existe o Parlamento do Reino Unido, com sede na capital do UK (Sigla para “United Kingdom”, Reino Unido em inglês), a famosa cidade de Londres.

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Sede do parlamento britânico em Londres

Em segunda mão, precisa-se compreender a União Europeia. Após a Segunda Grande Guerra, a Europa precisou reinventar-se politicamente. O continente estava arrasado. Através de diversos tratados, as nações aos poucos foram sentindo cada vez mais a necessidade de se unirem, formando os primeiros blocos econômicos do mundo. Hoje, a UE promove a união dos países membros, com integração econômica através da Zona do Euro (Países que tem o euro como moeda oficial), da livre circulação de capitais, mercadorias e pessoas. O poder da UE é tamanho, principalmente na economia, que é considerada (Apesar de ser um bloco econômico) uma superpotência, com representação no G8 e na ONU.

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Sede da União Europeia em Bruxelas

O Reino Unido ingressou na União Europeia em 1973. Os motivos que levaram uma maioria britânica a votar pelo Brexit foram, segundo eles, a incapacidade da União Europeia em lidar com a situação dos imigrantes e o investimento absurdo feito pelo Reino Unido no bloco, enquanto o mesmo não tinha como principal foco investir no Reino Unido, um dos mercados mais sólidos da economia global. Mas as coisas não ficaram complicadas apenas recentemente, desde a adesão do UK à UE, o Reino Unido tem posto dificuldades e limites, não aderindo à Zona do Euro, permanecendo com sua moeda, a libra esterlina.

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O primeiro-ministro do Reino Unido, David Camaron.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Camaron, em sua eleição, reconhecendo a insatisfação popular com a União Europeia, prometeu a realização de um plebiscito sobre a permanência do país no bloco, porém o partidário, que se posicionou contra o Brexit, acabou por perder a campanha pelo Bremain (junção das palavras do inglês “Britain” com “remain”, que significa “Grã-Britânia permanece”). Logo após o resultado da votação ter sido liberado, Camaron renunciou ao cargo e anunciou que permaneceria até Outubro. O próximo primeiro-ministro deve ser eleito até dia 2 de Setembro. Por hora, não temos nenhum candidato confirmado.

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Interior da Bolsa de Valores de Tóquio.

As bolsas de valores, voláteis como são, foram as primeiras a sentir o impacto do Brexit, antes mesmo da confirmação da saída do Reino Unido. De imediato, as bolsas na Ásia despencaram. Shanghai, Hong Kong, Sidney e Tóquio passaram por apuros. A bolsa de Tóquio caiu 7,92%. A última vez que a principal bolsa de valores japonesa, uma das mais dinâmicas e importantes do mundo, sofreu tal queda foi naquele triplo desastre em 2011, quando o Japão foi atingido por um terremoto, seguindo de um tsunami e um desastre nuclear em Fukushima. A subida do preço do iene também apavorou os japoneses, já que o Japão é visto como posto seguro para guardar o dinheiro em tempos de crise, devido ao baixíssimo preço da moeda japonesa. Manter o iene barato é fundamental para a economia japonesa.

 

Os mercados futuros da Europa e dos Estados Unidos também foram abalados. O próprio dólar enfrentou quedas. E a BOVESPA, a Bolsa de Valores de São Paulo, a principal da América Latina, além de sofrer com a crise brasileira, terminou em queda esse final de semana por causa do Brexit.

Os 51,9% dos britânicos que votaram a favor do Brexit assombraram de tal forma a economia que mesmo os bancos do Reino Unido precisaram se preparar, com a libra esterlina atingindo o menor valor em relação ao dólar em 31 anos. A bolsa de Londres operou com queda de 8%. As ações dos principais bancos da Bolsa de Valores de Londres apresentaram queda de 30%. A bolsa de valores de Madrid abriu com 15,90% de prejuízo, e as outras bolsas europeias sentiram impactos parecidos.

Não tão imediatas quanto na economia, as consequências políticas ainda são rápidas o suficiente para abalar toda a estrutura global. Assim que o Brexit foi confirmado, surgiu o Frexit e o Nexit, ou seja, “France exit” e “Netherlands exit”. Basicamente, a vitória e o sucesso do plesbicito para os nacionalistas britânicos, deu força também para movimentos “separatistas” na França (France em inglês) e Países Baixos (Netherlands em inglês). Merine Le Pen e Geert Wilders, deputada e deputado de extrema direita da França e Holanda, respectivamente, já levantam hipóteses sobre referendos idênticos em seus países. Movimentos da Suíça, Áustria, Itália, Grécia, Dinamarca, inúmeros partidos europeus de direita estão agora militando por consultas populares a respeito da permanência de suas nações na União Europeia, o que preocupa Bruxelas (Capital da UE).

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Bandeira da União Europeia

O fim do bloco é impensável para os líderes dos governos, porém certa parcela europeia discorda e acha que o fim da União Europeia está próximo.

Em longo prazo, temos outros conflitos desenvolvendo-se. Não sendo mais parte da União Europeia, a relação do Reino Unido com as principais potências europeias fica prejudicada, e a histórica aliança com a França, desenvolvida durante as duas grandes guerras, passa a desinteressar ao país francês, que pretende endurecer para o Reino Unido, mostrando a todas as nações europeias a que tipo de isolamento estão suscetíveis aqueles que decidirem apartar-se da União Europeia. Hollande, presidente da França, e outros chefes europeus, exigem uma saída rápida da Grã-Bretanha. Merkel, a chanceler alemã, parece ser mais

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Angela Merkel, chanceler da Alemanha.

compreensiva, entendendo que será preciso tempo para o Reino Unido se entender fora do bloco econômico, e está disposta a esperar, dentro do que é previsto pelo artigo 50 do tratado de Lisboa, 2009 (A última drástica intervenção na lei europeia). O artigo 50 prevê a saída de um país do principal bloco econômico europeu, e afirma que o processo deve se dar em apenas dois anos.

Para a União Europeia, significa procurar uma nova superpotência econômica e uma cidade com movimentação de capital tão intensa quanto Londres. Para França e Alemanha, isso significa estreitar relações e tentar suprir o rombo que o Reino Unido deixará investindo uma na outra.

E o que isso significa para os países não europeus? Para nações como o Japão, talvez não

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Cidade de Tóquio, capital do Japão.

seja uma mudança muito feliz. A situação foi tão extrema que no sábado, dia 25/06, representantes do Banco do Japão fizeram uma reunião de emergência para discutir os devastadores impactos do Brexit sobre a terceira maior economia do mundo. O Japão construiu diversas fábricas na Grã-Bretanha (Devido à facilidade de investir no local). Dessas fábricas, toda a tecnologia japonesa era distribuída para Europa com baixo custo, devido à livre circulação de matéria e capital entre os países da UE. Agora que o Reino Unido entrará em processo para sair da União Europeia, o Japão e os países com fábricas no UK destinadas a distribuir para toda União Europeia precisam achar um novo forte de investimento, sendo o mais próximo e visto, a Irlanda. Ou seja, inúmeros cidadãos com os empregos em fábricas de transnacionais não britânicas estão agora ameaçados. O Brexit, como já havia sido alertado pelo governo britânico, vai aumentar a taxa de desemprego.

A situação é parecida para os comerciantes britânicos que dependiam de negociações com a União Europeia. Sendo Londres o principal centro desse comércio, obviamente, a maioria londrina votou pela permanência no bloco, porque assim, a cidade poderia continuar sendo o cerne da comercialização na Europa. Então, entramos num próximo mérito, o Reino Desunido.

A votação foi extremamente caótica quando divulgada. Escócia e Irlanda do Norte votaram pela permanência no bloco, os londrinos e ingleses de grandes cidades fizeram o mesmo, porém a população interiorana da Inglaterra e o País de Gales decidiram pelo Brexit. Como manter unido um reino de quatro países em que dois votam uma coisa e dois outra? Como manter unido um país em que a capital votou uma coisa e o resto do país outra? Foi assim que o Reino Unido e a Inglaterra se encontraram.

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Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que encabeçou o plebiscito pela independência da Escócia em 2012, declarou que, já que mais de 60% dos escoceses “veem seu futuro como parte da União Europeia”, está claro e evidente que o povo escocês e o resto do Reino Unido estão divididos, de maneira mais intensa que antes. Com esse argumento, a primeira-ministra pretende convocar outro referendo pela independência da Escócia. Irlanda do Norte não fica atrás, seus líderes republicanos desejam consultar a população para unificar as “Irlandas”, a República da Irlanda e o Reino da Irlanda (Irlanda do Norte). Caso o Reino Unido não satisfaça mais a população norte-irlandesa, o reino se unirá com a República da Irlanda.

De todas as possibilidades e movimentos, certamente o mais impressionante foi a coleta

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Cartazes de manifestantes apoiadores do Reino Unido na União Europeia dizendo “Vote para permanecer”

de assinaturas e procura de apoio para a independência de Londres. De diversas formas, o Brexit ameaça destroçar o Reino Unido em diversos países.

E para o Brasil? Isso influencia em algo? Qualquer coisa que acontecer num país influência em todos, ainda mais quando se trata da União Europeia e do Reino Unido. Os impactos foram maiores que a queda nas ações da BOVESPA. A MERCOSUL perdeu o principal aliado para uma parceria que há anos vem buscando com a União Europeia. O Reino Unido era o principal apoiador dessa parceria. Porém o presidente interino, Michel Temer, se posicionou sobre o assunto: “O Reino Unido decidiu por uma consulta popular. Portanto, decisão política nós não vamos discutir. Precisamos verificar quais são as repercussões econômicas que possam atingir o Brasil. Meirelles vai se encontrar com o representante do governo britânico, com quem vai discutir essas questões”, afirmou ele em entrevista para a Rádio Estadão.

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Interior da BOVESPA, São Paulo

Temer destacou que temos que respeitar a soberania de todas as nações e os desígnios populares. O que o povo britânico decidiu, não compete à nação brasileira, porém é da nossa importância analisar os impactos no Brasil e nos brasileiros (Principalmente para os residentes no Reino Unido), visto que o tratado com a União Europeia era uma das maneiras imediatas do governo Temer para tirar o Brasil da crise. Na mesma sexta-feira em que o Brexit foi confirmado, o presidente interino escalou o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, para reunir-se com o diplomata britânico no Brasil para discutirem o Brexit para o Brasil. O Reino Unido declarou interesse em ampliar as relações com o Brasil.

Os Estados Unidos também se posicionaram a favor do povo britânico e afirmou que seu relacionamento histórico com a antiga metrópole não muda.

Encerrando por aqui a linguagem jornalística que o artigo acabou assumindo, gostaria de comentar o que eu penso sobre o Brexit. Sempre que eu falo de guerras com meu irmão, ele me pergunta quem é o bem e o mal e eu respondo “Numa guerra não existe bem e mal, apenas lados”. A política é uma guerra e, da mesma forma, não existe bem e mal, apenas lados. Todas as coisas que acontecem, ainda mais em escala global, serão boas para alguém e ruins para outrem. Se o Brexit foi bom ou ruim, é difícil dizer. Foi uma mudança, e mudanças são ruins quando não são esperadas. O mundo precisa mudar, a geopolítica existe de mudanças. Por fim, espero que as nações tenham maturidade para seguir com calma diante desses fatos e que cada uma possa enfrentar da melhor maneira para sua população.

Todas as informações aqui foram obtidas de diversos jornais. O objetivo do artigo é reunir o maior número de informações possíveis até o momento.

 

Eu queria conhecer – Maria Quitéria de Jesus.

Eu queria conhecer – Maria Quitéria de Jesus.
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Maria Quitéria de Jesus, a primeira mulher a militar pelo Brasil

Presidentas, generalas, soldadas, prefeitas, médicas, professoras, engenheiras, pedreiras, chefes de família… Certamente, ser mulher mudou muito ao longo da evolução humana. Hoje, finalmente, passamos pela maior estágio da transformação do papel feminino na sociedade, onde os homens começam a reconhecer o poderio e autoridade das mulheres e sua importância para o desenvolvimento de uma sociedade sã e sustentável. O feminismo e a luta pela emancipação feminina não é mais bandeira de corajosas mulheres, mas também de homens que partilham de um novo conceito de “ser homem e ser mulher”. Com felicidade, sou eu um desses!

A mulher me fascina desde sempre, e de diversas formas. E essa não será a primeira vez que lerão minhas palavras falando desse sentimento que desenvolvi pelas minhas iguais, pelas minhas companheiras. Compartilhamos da mesma luta, luta essa que outras e outros como nós também compartilharam no passado. E é ao passado do Brasil que remeteremos para conhecer uma das mais gloriosas figuras da história brasileira, símbolo da feminilidade brasileira, que mudou o curso da sociedade e fascinou a mim e a muitos, tanto à sua época como atualmente.

Se hoje o Brasil é independente, se vive suas crises aparte das de Portugal, é obra muito maior do que o grito de um príncipe português às margens de um nada mágico riacho. Um país tão imenso, diverso, complexo, paradoxal, não surgiu dos sonhos da coroa portuguesa, mas do coração dos brasileiros. E uma dessas sonhadoras foi Maria Quitéria de Jesus, e é esta heroína da Guerra da Independência que, com toda certeza, Eu gostaria de conhecer…

Maria de Jesus é iletrada, mas viva. Tem inteligência clara e percepção aguda. Penso que, se a educassem, ela se tornaria uma personalidade notável. Nada se observa de masculino nos seus modos, antes os possui gentis e amáveis.” ‘Journal of a voyage to Brazil’, da escritora britânica Maria Graham sobre Maria Quitéria de Jesus.

A vida de Maria Quitéria começa no interior da Bahia, no sítio de seu pai, no atual município de Feira de Santana. Era filha primogênita de Maria de Jesus e Gonçalo Alves de Almeida. Ainda criança, com dez ou onze anos, Quitéria perdeu sua mãe e se encontrou na obrigação de assumir a criação de seus dois irmãos. Maria não sabia lutar com palavras, era analfabeta, porém aprendeu a montar, sabia caçar e manejava uma arma de fogo como extensão do próprio corpo. Era disciplinada e centrada.

Seu pai ainda se casou mais uma vez, e perdeu a esposa, que morreu sem deixar filhos. Logo mais, casou-se por uma terceira vez, com Maria Rosa de Brito, com quem teve mais três filhos. Rosa observava a independência e autossuficiência de Maria Quitéria. Aos olhos da mulher da época, devia tachar a jovem Quitéria como uma insubmissa, por isso, ambas se estranhavam.

Mas quando é que Maria se tornou a heroína a quem vim exaltar? Calma, aconteceu logo após o famoso grito do Ipiranga, em 1822. Pensava eu que a separação de Brasil e Portugal tivesse sido pacífica e cara, no seu sentido literal. Mas me enganei, não sobre o preço, mas sobre a parte “pacífica”. Os portugueses não receberam bem a emancipação de um de seus mais importantes territórios. E, para Portugal, o Norte e o Nordeste eram pontos estratégicos para reconquistar o recém-formado país, e mantiveram ocupação militar nas regiões, principalmente na Bahia. Se para Portugal era importante permanecer no Nordeste e no Norte, para os brasileiros era importante expulsá-los de lá. Foi então que o príncipe Dom Pedro I começou a buscar apoio.

Maria Quitéria estava noiva quando agitações contra o domínio de Portugal sacudiram a Bahia. Em janeiro de 1822, tropas portuguesas moveram-se para Salvador, no episódio que eternizou Joana Angélica, que se martirizou para defender o Convento da Lapa. Em 25 de Julho do mesmo ano, a Câmara Municipal da vila de Cachoeira aclamou o príncipe-regente Dom Pedro I como “Regente Perpétuo” da nação brasileira. Em 6 de Setembro, instalou-se na vila o Conselho Interino do Governo da Província, que defendia de toda alma o movimento pró-independência da Bahia. E é deste Conselho que partem emissários em uma busca incansável por toda a província baiana de homens para formar o “Exército Libertador”, ou seja, o exército que lutaria pelo reconhecimento da soberania do Brasil e de Dom Pedro como imperador.

Maria Quitéria já ouvia e encantava-se pela ideia de independência há tempos, mas quando surgiu à chance de sair do seu mundo rural para batalhar pelo seu sonho de um país livre, ela não perdeu a chance. Sabendo da formação do Exército Libertador, Maria pediu permissão ao seu pai para alistar-se, mas ele a negou.

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Quadro de Antônio Parreiras: O Primeiro Passo para a Independência da Bahia.

E revelou-se em Quitéria a insubmissão que Rosa de Brito talvez já identificasse. A jovem fugiu para a casa de sua meia-irmã Tereza e com a ajuda dela e de seu cunhado, José Cordeiro de Medeiros, travestiu-se, cortando os cabelos e vestindo roupas masculinas, e passou a desempenhar o papel do soldado “Medeiros”. Medeiros se alistou e conseguiu ingressar no exército. O soldado Medeiros integrou o Batalhão de Voluntários do Príncipe (Apelidado de Batalhão dos Periquitos, por causa das golas e do punho verde que usavam nos uniformes).

Duas semanas depois, seu pai a descobriu, mas o major José Antônio da Silva Castro (Avô do poeta romântico Castro Alves) reconheceu em Quitéria habilidades que poucos combatentes tinham e uma bravura admirável. Ele não permitiu que a mulher fosse levada de seu batalhão. Após ter sido exposta e apoiada, Maria pôde assumir-se como era, uma mulher. Deram-lhe direito a adaptar seu uniforme. Ela mesma tratou de fazer um saiote para usar e fez da sua veste de guerra tão feminina quanto ela, adicionando até penachos ao capacete. Agora, não mais Medeiros, mas Quitéria, tornou-se a primeira mulher a assentar praça numa unidade militar.

Maria, com seu novo uniforme, seguiu com os periquitos para participar da defesa da ilha de Maré, saindo vitoriosa logo depois também em Conceição, Pituba e Itapoã. Em Fevereiro de 1823, mais uma vez Quitéria mostrou sua bravura de mulher ao atacar uma trincheira inimiga e fazer, ela mesma, prisioneiros (Dois, segundo dizem alguns autores). A soldada, por si só, os escoltou ao acampamento.

Em 31 de Março, ocupando o posto de Cadete, por ordem do Conselho Interino da Província, Quitéria recebeu uma espada e todos seus
acessórios, ferindo com sua nova arma mais um direito dado apenas aos homens, o direito de portar uma espada.

Em 2 de Julho de 1823, quando o Exército Libertador caminhou vitorioso pelas ruas de Salvador, Maria Quitéria foi saudada, homenageada e ovacionada pela população, que festejava a vitória brasileira e baiana sobre os lusitanos.

Para encerrar a linda história dessa brasileira, nada melhor que um final feliz. Quitéria teve um fim bem diferente de sua “companheira” francesa, Joana D’Arc, que foi condenada pela Igreja Católica à fogueira. Maria foi convocada pelo próprio Dom Pedro I para ser condecorada, diante de todo o novo Brasil, com a “Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul”.

Vitoriosa e honrada, Quitéria precisava apenas restaurar seu relacionamento com seu pai, e pediu ao próprio imperador que redigisse uma carta pedindo pelo perdão dele pela desobediência da filha. Assim fez Dom Pedro I pela sua poderosa guerreira.

Maria entregou a carta ao seu pai e foi perdoada. Casou-se com seu antigo namorado, o lavrador Gabriel Pereira de Brito. Com ele, teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Quitéria viveu em anonimato desde então. Quando ficou viúva, retornou à terra natal para receber a herança de seu pai, mas a burocracia à fez desistir do inventário. Maria morreu quase cega e em esquecimento, no ano de 1853. Seus restos estão enterrados na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento.

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Estátua em homenagem à Maria Quitéria de Jesus

Quitéria guerreou pela independência do país, mas mal sabia ela a guerra muito mais longa que havia começado, a Guerra da Independência da Mulher Brasileira. Maria inspirou muitas outras e outros, sendo hoje homenageada de diversas formas. A maneira mais significante, talvez, seja o decreto ministerial declarado após cem anos de sua morte, que colocou uma imagem sua em todas as repartições militares brasileiras, como símbolo de patriotismo. Ela ainda é patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Segundo o site do próprio Exército, “A mais autêntica homenagem que se pode prestar aos grandes vultos da Pátria é manter viva a lembrança de seus feitos, interpretar os acontecimentos de que participaram e recolher os dignos exemplos que nos legaram.”.

Maria Quitéria não se abateu por ser mulher, e mostrou que, mesmo de um sexo diferente dos demais militares, tinha a mesma garra que qualquer homem que já guerreou pela nação. Infelizmente, apenas em 1943 as mulheres foram inseridas oficialmente no cenário militar brasileiro, limitadas à área da saúde. No Parlamento, menos de 15% das cadeiras são ocupadas por mulheres. Em muitas profissões, principalmente em grandes empresas, as mulheres recebem salários inferiores aos de homens, ainda mais em cargos de administração, e, em certos locais, é preferível homens que mulheres para os trabalhos. As desculpas são inúmeras, não faltam motivos para refabricar ideologias de gênero que inferiorizam a mulher, mas está na hora de darmos um basta nas desculpas.

Tenho certeza que o pai de Quitéria teve vários motivos para proibi-la de ir à guerra, mas graças ao ímpeto de mulher que Maria possuía, hoje temos um país liberto. Para o bem ou para o mal, é graças a Maria Quitéria de Jesus que nos dizemos Brasil.

Ainda há muito que conquistar, mas fizemos algum progresso e não podemos parar. Então, pessoas, nem mulheres nem homens, parem de se curvar às desculpas tolas e lutem por seus ideais. Mostrem que estão corretos e que são capazes. Batalhem para provar ao mundo que podem muda-lo para melhor! Maria Quitéria tinha Escrito no Sangue o poder de mudar o mundo, e você também tem.

 

 

 

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Passei todos os primeiros meses desse blog pensando “Mas eu nem sei pra quem eu tô escrevendo!”. Eu simplesmente não fazia ideia do que ia falar nesse blog, do que eu poderia ou não falar, do que eu queria ou não. Eu não sou escritor de contos, apenas, tão pouco poeta! Eu faço poemas e contos, mas não faço apenas isso! Porém, uma ideia brilhante veio na minha cabeça! Por que não falar de tudo? Tem mesmo que só falar de uma coisa? Então eu vou mudar tudo por aqui, se quiser que esse blog cumpra sua função, que é alcançar o máximo de pessoas possível. Afinal, se eu quiser expor minhas ideias, elas tem que ser chamativas e verdadeiras. Tem que ser minhas.

Sem falar, que eu só tenho 15 anos. Não quero que, com 15 anos, todos me vejam como um escritor ultrapassado, que vive de contos e poemas. Escrever para mim é mais que uma atividade corriqueira que eu faço em cinco ou dez minutos. Viver de contos e poemas não é ruim, mas está longe do que eu quero para a minha vida inteira como escritor e ser humano. Eu tenho opinião, eu tenho experiências, e eu quero contá-las. Então hora de ousar e ter coragem para expor o que eu realmente quero.

Para isso não ser desorganizado, vou dividir o blog, a partir de hoje, em “programas”, “tags”. Cada post vai ter um estilo diferente e você saberá do que eu vou falar antes mesmo de começar a ler! Esse negócio de querer que o leitor saiba o que vai ler antes de começar, faço isso até nos meus livros! (Quando os publicar, vou falar sobre isso) Gosto que a pessoa comece a ler sabendo que vai gostar. Serão os seguintes programas (Vou chamar de programas porque foi o que veio na cabeça. kkk):

Eu queria conhecer… – Eu queria conhecer José de Alencar, Chiquinha Gonzaga, Maria Quitéria de Jesus, Hatshepsut, Alberto Nepomuceno, Dido, Barão do Rio Branco, Pedro II, C. S. Lewis, Marie Curie… Mas quem são essas pessoas? Por que elas são importantes? O que elas fizeram? Certamente algumas você deve conhecer, outras, nem tanto, mas é por isso mesmo que eu quero contar a história deles! Histórias de grandes mulheres e homens que mudaram o mundo na sua época e foram muito mais do que se imaginava! Grandes figuras da história global e/ou brasileira! Se você gosta de história como eu, então vai amar! O “Eu queria conhecer” será postado religiosamente, eu pretendo, às segundas.

Literando – Eu sei, o nome é esquisito, mas vai servir bem. kkk Toda vez que você ler “Literando” antes de algum título, preveja que eu vou literar bastante. rs Todo post Literando vai ser um conto, uma crônica, um poema, algo que esteja diretamente vinculado com a minha produção artística-literária. Tudo que eu venho postando ultimamente, praticamente, se encaixa aqui. O “Literando” não terá dia oficial para ser postado, e só postarei quando tiver um texto realmente bom para divulgar, então vai depender da criatividade.

Preciso Falar – Sabem, eu falo demais, pior, eu opino demais! Por isso que brinco que nunca sobreviveria a Ditadura Militar! kk Afinal, eu não sei ficar calado. Então, quando eu precisar falar, vou avisar antes do título colocando “Preciso Falar”. Assim, já estaremos cientes que eu vou opinar sobre algum tema. Pode ser política, cultura, educação, igreja, economia até. Eu estava meio receoso de dar minha opinião ou falar do que eu acredito, com medo da repercussão, mas a gente opina para repercutir, independente dos danos a nossa imagem! kkkk  Existe muita coisa que eu realmente preciso falar, por isso, posso garantir muitos “Preciso Falar”. kkk O “Preciso Falar” também não terá um dia oficial, será postado quando eu tiver uma boa opinião, digna do público.

Eu queria que existisse… – Eu amo desenho animado, séries, novelas, filmes, livros… Além de gostar de saber de coisas que existem e que estão acontecendo, gosto de saber também do que é criado, inventado da cabeça de engenhosos e engenhosas escritoras e escritores, desenhistas, roteiristas, atores e atrizes… Então vou falar dos personagens que mais marcaram e porque os considero importantes! Sim, eu queria que existisse a rainha Elsa, a princesa Merida, a guerreira Mulan, o peixe-palhaço Marlin e a peixinha Dory, a índia Iracema, o poderoso Poti, a corajosa Anastácia, a poderosíssima Korra, e muitos outros personagens fictícios que marcaram a minha história! (Falo como se tivesse vivido muita coisa…) Tem muitos personagens sobre os quais eu gostaria de falar! O “Eu queria que existisse…” será postado às sextas-feiras!

Meus Projetos – Eu já lancei um Meus Projetos aqui, e o programa vai continuar. Através dos Meus Projetos eu vou divulgar detalhes da minha “vida profissional” como artista, e não falo apenas como escritor. Eu não tenho como definir um dia para os Meus Projetos, afinal, são coisas que vão acontecendo e eu divulgo. Então, eles vão eventualmente ser postados nos dias úteis desse blog (Que serão os domingos, as segundas, as quartas, as sextas e os sábados. Eu não vou postar nas terças e quintas, pelo menos eu não pretendo fazê-lo muito.).

Apartado – Uma vez ou outra pode surgir um texto que não se encaixa em nenhum dos programas oficial. Estes serão indicados como “Apartado”.

Então é isso, obrigado por ler e, se Deus quiser, eu vou prosseguir com esse blog. Me ajude com isso! Curta, siga o blog, compartilhe, comente! Se gostou do meu trabalho, me divulgue! Siga-me no Twitter, @CaioJose25, no Google+, em Caio Galeno, ou no Facebook, em Caio José Galeno.

 

 

Literando: Conto-A Casa da Artista.

Meu nome é Melissa. Sou separada, não tenho filho e minha melhor amiga é um poodle. Desde que meu casamento fora arruinado por um adultério desventuroso, minha vida ficou sem rumo. Eu me entreguei de mais ao homem que chamei de meu, e quando vi que ele não era meu, fiquei sem rumo. Eu me dei tanto a ele que, quando ele foi embora, levou a mim mesma. Separar-se dele encerrou minha vida e eu precisava começar uma nova.

O primeiro passo era uma casa, e eu havia encontrado uma perfeita, com um preço perfeito. Uma casa que refletia quem eu era naquele momento, uma velharia esquecida, destroçada, largada. Quando olhei para aquele prédio nada atrativo, pensei “Essa casa me entenderá, ela sabe o que é ser deixada de lado”.

A vizinhança é boa, silenciosa e quieta, talvez até demais. No máximo algumas crianças brincam na rua, mas nenhum tinha coragem de ir para frente da minha nova morada, pois ela as assombrava. A casa tinha ainda os ares do século XVII. Era rústica, bonita, sua fachada era amarelada e os detalhes eram admiráveis. O prédio fora reformado pela última vez há dez anos, e por isso foi vendido por um bom preço. Eu tinha muito que fazer ali.

A parte que eu mais amava na casa era, com toda certeza, seu jardim, o qual chamei “minha alma”. Era um jardim morto, cinzento, e toda vez que eu olhava para a janela e via a mais externa parte da minha casa, via também o mais interno do meu ser. Como feio era o jardim, era minha vida. Pelo menos minha cadelinha nunca me desamparou.

Era incrível sentir a liberdade da casa própria e da “solteiragem”. Tinha que reformar toda aquela casa acaba e usar dos meus dons de pintura e desenho. Eu sou pintora desde pequena, então não seria difícil deixar essa casa menos feia. Eu havia comprado todo o material e faria todo o trabalho eu mesma. Faria tudo devagar e calmamente, como gostava.

– Nina? – Chamei minha amiga, e ela veio até mim, latindo alegre como sempre. – Então, gostou da casa?

Ela me respondeu com dois latidos, que eu entendia muito bem.

– Legal, eu também.

Escutamos um estranho barulho vindo lá de cima. Olhamos para o teto, assustadas. Já trêmula, eu falei.

– O vendedor tinha me falado desses sons. Não sei se vou me acostumar.

O barulho era intenso, era como se o andar de cima estivesse vivo.

– O que você acha da gente subir e ver o que é?

Minha corajosa cadelinha empinou a cabeça e latiu.

– Certo garota, então vamos juntas.

Subimos degrau por degrau. Meu corpo estremecia. Os barulhos aumentavam, eu sentia que havia algo mexendo lá em cima. E quanto mais eu me aproximava, mais perturbado aquilo ficava. Até minha determinada Nina estava cautelosa. Quando finalmente conseguimos chegar ao último dos dezesseis degraus, encontramos o que nos fazia temer a noite… Nada. Não havia nada. Ou melhor, não se via nada.

A cachorra choramingou.

– Nina, se cale.

Eu analisei todo lugar. Havia muitas teias de aranha, as paredes estavam completamente destruídas. Mas não com marcas de deterioração, mas de mãos, faças, balas. Alguém havia destruído aquele lugar. As marcas também se espelhavam pelo chão de madeira. Havia manchas por todo lugar, manchas vermelhas.

– Como não notei isso quando vim aqui pela primeira vez?

Foi então que respirei fundo e senti o cheiro do lugar. Era um cheiro peculiar, moribundo, cheiro de morte. Alguém havia brigado ali e havia terminado em morte.

– Melhor sairmos daqui Nina, vamos.

Quando me virei para descer, Nina estava paralisada, assustada, e latindo vorazmente. O cachorro estava ali, parado, olhando fixamente para o canto da parede, como que visse alguém. Ele latia incansavelmente e tentava espantar o que quer que fosse.

– Nina, você está me assustando. Vamos sair daqui.

Comecei a escutar sons bem baixos, de choro, choro de mulheres, homens e crianças. Elas e eles gritavam socorro, pediam para que alguém os ajudasse. Balancei a cabeça, tentando esquecer, mas parecia que o barulho não estava dentro da minha cabeça, mas fora. Escutei coisas se quebrando, e foi como visualizar o que ocorrera ali no dia 15 do mês de Maio do ano de 1899, sete anos após a família Lima comprar a propriedade. Como eu sei disso? Não sei, mas desde aquele dia, de muitas coisas fiquei sabendo.

Desci correndo, e, desde então, todo dia me são entregues novas imagens, de novos assassinatos. E eu nunca via o rosto de assassino, mas sabia como ele matara cada uma de suas vítimas. Facadas, afogamentos, enterrados vivos, cada um mais criativo que o outro.

Um dia então, descobri, não era um assassino, mas vários. Cada família e pessoa que morou ali se revelou um assassino. A casa continuava a me contar seus segredos e eu estava cada vez mais amiga dela, de tal forma, que até de Nina esquecera. Minha casa passou a ser minha verdadeira amiga. Ela me contava o que sabia e eu o que ela queria. Gostava de ouvir seus conselhos. Ela disse que mudaria minha vida, me faria sentir prazer.

Quando observava as crianças brincando na rua, a casa me mostrava como deveria matar cada uma. Eu me divertia com facadas, pois, dependendo de onde ferisse, poderia ouvir minha vítima gritar e gritar, enquanto o sangue pintava-lhe a pele. Minha casa ensinou-me a ser uma nova artista, artista de corpos. Ela me ensinou a revolucionar a arte. Era assim que me conheciam, esta era a minha marca.

Foi com o desenho de um rosto feliz que encontraram o corpo da minha cachorrinha. Eu não queria enterrá-la, afinal, o que é bonito deve ser exposto, e eu a coloquei na frente da casa, para todos verem. Às vezes, quando a casa lançava-me a vontade de desenhar, fazia no meu próprio corpo ou nas paredes, para saciar à vontade. Eu precisava de algo para matar o meu desejo por criar. E os vizinhos pareceram interessantes.

Uma série de desaparecimentos se seguiu, sete crianças, dois idosos, um casal de adultos, uma jovem e outros dois melhores amigos, que continuaram juntos até a morte. Cada um com um desenho diferente, afinal, sou criativa. Eu sempre expunha minhas obras em suas próprias casas. Eu as pregava nas paredes, na trágica posição de cruz.

Os demais humanos não sabiam reconhecer o meu talento, mas a casa me valorizava, ela me dizia que eu era muito talentosa e que não podia parar. Precisava fazer com que todos me conhecessem. E eu já era bem falada. Obras minhas, quando apareciam, eram estampadas em jornais e a polícia era louca para descobrir quem era a tão brilhante artista.

Depois de sete anos no ofício de pintora e desenhista, me encontraram e me levaram cativa. Longe da casa, eu não podia viver. Quando me puxaram de lá e interditaram-na, foi como arrancar de mim a minha vida. Eu já havia morrido uma vez e não morreria de novo. A casa me ensinou a viver de um jeito que me deixava feliz.

Hoje, trancada numa cela, eu roo as grades e grito todas as noites, sonhando com o dia que retornarei para os braços da minha amada casa, que cuidou de mim e me deu uma vida nova. Eu estava tão só e ela me ajudou a mudar. Ela me ensinou a usar uma nova cor, a cor vermelha. Não conseguia parar de imaginar, quem seria o próximo a morar naquele lugar? E a melhor parte, o que a casa lhe ensinaria de novo?

Meus projetos: Trilogia Kimiom de Merídia

Por hora, o blog tem sido um espaço para publicar contos e artigos, mas agora estou adicionando o tipo de post “Meus Projetos”, dedicado a mostrar tudo aquilo que venho criando.

Como já citei aqui no blog, eu sou escritor já faz um tempo e tenho quatro livros completos e planos para escrever muitos mais. Este blog é uma das minhas maneiras de me expor e conseguir apoio para a publicação do meu primeiro livro. Então, para que você possa conhecer a minha obra, vou postar a introdução da minha primeira série, Kimiom de Merídia.

Introdução:

Em uma nação autocrata onde um líder ditava o desejar e pensar de seu povo, Kimiom é pressionado a se levantar como símbolo de uma revolução e centro de acontecimentos que mudarão seu mundo para sempre. Destinado a ser algo que não compreende, o personagem lança-se ao inexplicável para saber quem realmente é: Uma arma, um salvador, um desastre, um monstro, um erro, um peão? Com grandes poderes vêm responsabilidades inimagináveis e Kimiom sentirá na pele o compromisso que tem com a humanidade, assim como o autor sente seu compromisso de dar ao leitor uma bela história.

 

Não sabemos nossos destinos, mas sabemos que todos terminam com a morte. Para alguns, o ponto final é colocado após algumas palavras, outros, criam páginas e páginas de aventuras e sentimentos. Não sei o meu fim, não sei o que pode acontecer depois disso, mas eu juro… Pelo sangue que corre em minhas veias… Eu juro, pelo suor que escorre pelo meu rosto… Eu juro, pelo coração que bate em meu peito… Eu vou proteger o que amo… Eu vou proteger as pessoas desse mundo, pois a esperança é a última que morre!” Kimiom de Merídia.

Alguns poucos próximos tiveram a oportunidade de ler o livro e uma das leitoras comentou o seguinte:

“Caio J. G. L. Galeno é uma das vozes mais fascinantes da literatura brasileira contemporânea. Na saga Kimiom de Merídia apresenta um escritor apaixonado, que mostra sua arte em uma viagem de cores, sons e ideias. Não sou capaz de descrever o quanto gostei e o quanto é excelente Kimiom de Merídia.” De Gabriely Farias.  

Ao longo do tempo, postarei algumas espiadinhas, para vocês poderem ter uma pequena ideia do que pretendo publicar. A primeira vez que estou expondo esse livro para o mundo inteiro é neste post. Por isso, também está anexado logo abaixo as primeiras páginas da história, uma breve espiadinha:

“Creio que aqui toda criança tem um trauma. Cada um com suas dores e sequelas. Quanto a mim, toda noite eu choramingava por um nome, clamava por algo que nunca seria atendido, pedia a quem me ouvisse que meu pai ressuscitasse. Tantas pessoas perdem tantas pessoas, mas foi preciso apenas um para reescrever minha existência. Sem um pai, precisava de algo para me manter e fiz a pior escolha. Acabei por entregar meu direito de viver e pensar ao meu imperador divino, Adamantor.

O imperador era ministro da defesa de Merídia e, quando teve chance, tomou o poder. Desde então, o país que era Merídia se tornou um universo em trevas, sem desenvolvimento, educação, amor ou razão. Tudo era feito pelo povo e para Adamantor.

Eu observava a janela do meu quarto, que era direcionada para o quintal, onde meu pai havia sido enterrado e uma pedra estranha e disforme tinha seu nome esculpido, indicando que ali jaz alguém inútil, como todos são. Com muito rancor, lembrava-me dos dias que eu fitava o túmulo dele e friamente perguntava:

– Por que papai? Por que você era tão imbecil? Por que não foi mais cuidadoso? Por quê? Sim, eu me lembro do que a mamãe me contou, mas não é o suficiente. – Naquele momento de emoções, relembrei do dia em que o corpo dele foi jogado na frente de nossa casa, com o rosto estraçalhado.

Foi preciso da ajuda dos vizinhos para retira-lo dali, vesti-lo e enterra-lo ao som dos instrumentos e músicas disponíveis, como era tradicional. Perguntei em particular a minha mãe a respeito de quem matara meu pai. Depois de muita conversa entendi que o imperador fizera isso. Questionei-me sobre o que levou Adamantor a se importar com um homem de uma cidadezinha que não possuía poder algum.

Para incomodar o Império meu pai devia ser um revoltoso. Mas isso não tinha cabimento, apesar de ser a resposta mais sensata para um menino de doze anos que viu o corpo do pai quase que dilacerado. Baseado em minhas hipóteses, odiei Adamantor, mas criei um medo tremendo da figura do imperador, do que ele era capaz de fazer. Então, se eu não podia enfrentar Adamantor, poderia me enraivecer de meu pai, um homem que abriu mão da família por seus ideais, assim eu pensava. Ele me trocou por sua luta.

– Papai! Seu desgraçado! – Gritei ao chutar a terra, lançando-a ao ar e sobre o túmulo. – Você não pensou em nós antes de se juntar a esses ridículos? Por que não só engoliu que Adamantor está ai e não pode ser derrubado? O que era que te dava esperança? Seu idiota! Imbecil! Eu tenho raiva de você, seu monte de merda, principalmente por ter morrido sem me deixar nada, nada como explicação! – Deixei-me cair de joelhos em meio a prantos e vendo o pó do chão sujar minha roupa, lembrei-me de quando eu caia aqui e cuidadosamente meu pai me erguia, afirmando que sempre estaria ali para me levantar. A lembrança trouxe a mim momentos de amor, todavia não acabou com a saudade. – Mas não o odeio, apenas o amo tanto que essa situação me faz querer não ter nascido… Eu queria enterrar esse seu túmulo e essa pedra para nunca mais ver você e esquecer você, só que não tenho força para isso! Sou só mais um fraco… Mais um covarde… Incapaz de enfrentar o próprio passado. – Chorei amargamente.

Mal sabia eu o quão era necessário que eu fosse deixado sem nenhuma explicação, o que fora escondido de mim está muito além de revoltas. Meu pai, verdadeiramente, nunca se envolvera com protestos e ações que visavam à derrubada do imperador, mas ele cria nisso, acreditava que aquele homem desprezível sucumbiria. Meu pai não acreditava num movimento, acreditava em alguém, e ele morrera não por causa do que cria, mas do que era…”

Se você gostou, ainda a muito mais! Essas são apenas as primeiras palavras de uma aventura incrível, onde você verá um herói passar por altos e baixos, onde vai conhecer personagens humanos e profundos, dispostos a lutar por ideias e pelo futuro do mundo, numa mistura incrível de palavras e sentimentos.

Ajude-me a publicar esse livro, compartilhe esse post, curta, comente, siga o blog! Você é meu divulgador, e só com sua ajuda eu posso realizar o sonho de publicar um livro, e só depende de você descobrir o resto dos 18 capítulos que constroem o primeiro livro dessa trilogia incrível!

Esteja atento à notícias e outras espiadinhas nas minhas obras! Não perca uma publicação e fique ligado no próximo Meus Projetos, onde falarei de muitas outras coisas que venho criando! Até mais!

Literando: Conto – Para onde eu corro.

Então eu corri, para o mais longe que podia. Era só o que podia fazer, fugir, para onde não me conhecessem, e nem quisessem conhecer. Chegar ao além, ao oceano do esquecimento. Onde não lembraria do passado, nem de ontem, nem de hoje. Esqueceria das coisas boas… Mas também das ruins, e o que não faria para esquecê-las.

A distância era grande, mas fugir não era novidade. Nasci entre covardes, uma família abastada que roubava dos pobres, que tinha muito, e por isso achava que podia ter mais. Quando o patriarca caiu nas mãos da juíza, seria preso, mas desapareceu, preferiu ser foragido, deixando para trás seus filhos e tudo que lhe diz respeito. Sim, isto era algo que eu estava disposto a esquecer. Como fui abandonado, como fui machucado, por um corrupto que foi corrupto até para sua família. O único amor do político é o poder.

A mãe não foi mais a mesma, não podia mais sustentar uma vida de luxo. Porque viveu à custa de um marido que não a deixara ser a mulher que queria, restringindo-a de ser realizada, enchendo-a de presentes para apagar sua natureza machista,  agora estava à deriva, e pedia ao lado dos mesmos pobres que o diabo, do qual descendo, roubava todos os dias.

Os nomes da elite mudaram, mas o comportamento era o mesmo. Roubavam-nos, porque tinham muito, e porque tinham muito, deveriam ter mais. A deturpada mente do rico… Maldito é aquele que detém mais do que precisa e que não ajuda ao necessitado.

Eu não poda viver assim. Mas as ruas, companheiras do renegado, apontaram-me o beco dos vídeos que destroem o corpo. Ao provar dos delírios do mundo, senti-me um abençoado com os sonhos da Jurema, do livro Iracema. Cada tragada era como um gole da sagrada bebida dos tabajaras de Alencar. Mais uma vez eu fugia, fugia da realidade, para sentir que tudo era feliz. E meu corpo ia se denegrindo.

Pensava eu que era só uma fase, mas neste mundo não existem fases, existem primeiros passos. Você nunca se liberta de um vício destruidor. Pode até superá-lo, mas uma vez que experimenta e gosta, condena a si mesmo. Seu corpo sempre sentirá a necessidade, mesmo que sua mente a combata.

Milagroso é ver aquele que verdadeiramente é liberto. Eles existem, mas a obra humana é incapaz de entendê-los. Libertos do mundo, filhos da Paz. Corri para eles, pedi por misericórdia. Fui atendido e acolhido. Mas eu não era digno, não podia viver num lugar onde havia a Felicidade.

Então eu corri, para o mais longe que podia. Era só o que podia fazer, fugir, para onde não me conhecessem, e nem quisessem conhecer.  Chegar ao além, ao oceano do esquecimento. Onde não lembraria do passado, nem de ontem, nem de hoje. Esqueceria as coisas ruins… Mas também as coisas boas. E eu estava mesmo disposto a esquecê-Las?

Então Elas vieram até mim e disseram que não me esqueceriam. Foi assim que entendi! Eu não podia esquecê-Las! Eu não era digno, nenhum é, nenhum ser humano é digno da Felicidade que possui, mas Ela, a Liberdade, veio até mim e me fez digno. A bandeira branca da Paz, manchada de sangue, levantou-se sobre mim e fui coberto por ela, e, como nunca me aconteceu, tive abrigo. E habitou em mim a Liberdade.

Hoje eu sou livre, e não corro mais por fuga, mas para libertar os que continuam presos. Hoje, eu corro para você.