Literando: Conto – Ciências da vida

Os quase trinta alunos tentavam prestar atenção (Mas não dá. É impossível prestar atenção nesse cara. – Dizem-me as companhias). Nada contra o professor, ele é um bom homem, mas de nenhuma forma as aulas de Álgebra nos eram chamativas! Felizmente, em exatos dez minutos o sino tocaria, o professor se calaria, poderíamos sair da sala e comer, afinal, a fome consumia-me. Talvez seja falta de educação escrever enquanto o educador fala, mas tais como vagam os números em cálculos universais, vaga minha mente.

A ideia genial, e indecente, de desviar-me e escrever um pouco, vindo de uma má influência que sentava-se atrás de mim, foi arrebatadora e, tentado por meu vício mortal, afastei-me do conjunto dos irreais para me deleitar numa verdadeira irrealidade, as palavras sem nexo, e os minutos perdido passo a aproveitar neste relato sem sentido

Ouço o barulho ensurdecedor fora da sala, animando-me! Tocou! São 9:50 da manhã, hora do recreio! Todavia o professor pediu que ficássemos para que terminasse de explicar um novo conjunto, no qual minha mente estava, o conjunto vazio.

Vazio de que? De números, de sentimentos? Não sei, não prestei atenção, mas certamente não me animava ficar um tempo a mais. Talvez, quando eu chegar em casa, complete esse trecho com algumas novas emoções. É bom da forma ao que não tem. Enquanto meu professor enchia as vazias mentes de alunos pouco interessados, eu enchia a folha de papel pautado com sentimento e via-me tão importante quanto o educador, afinal, eu também estava moldando coisas.

Um texto é como uma equação, você vai desenvolvendo e, às vezes, por um errinho, temos todo o resultado modificado. Todavia para a escrita não há fórmula. Uma vez um professor de Física explicou-me que a partícula “que”, do português, tem quinze significados segundo o dicionário Aurélio, quando F= m.a tinha uma única tradução; Força igual a massa multiplicada pela a aceleração. Não me pus a provar que ele falava a verdade, mas certamente tinha razão.

Por algum motivo me parecia mais fácil os quinze significados que a “simplicidade” e “comodidade” das fórmulas. Essa pluralidade traz razão a vida. Coisas que são e simplesmente são não me fazem sentido. E por mais que eu busque, por meio filosófico, fervoroso ou científico, encontrar respostas, sei que algumas perguntas não podem ser respondidas, pois não tenho capacidade de compreender suas respostas ou alcança-las por mim mesmo, e isso não me incomoda, pois saber que não posso entender é uma resposta. Como pensador, já muitas vezes deparei-me com enigmas gloriosos que foram respondidos por algo simples: Não sei! E que, assim como a fórmula, não significa nada mais e nada a menos, mas ainda assim é uma resposta.

Talvez não haja mesmo essa divisão; Ciências Exatas, Humanas, Linguagens e Códigos, Artes… Talvez as coisas sejam muito mais amplas e mais simples. Afinal, o conhecimento faz parte da humanidade e a humanidade é complexa, incapaz de se conter ao que dizem os teóricos e observadores, pois está em constante mudança, como quando deitamos num sofá e ficamos nos movendo para achar uma posição e depois de um tempo naquela mesma posição, mudamos para outra, mas esta já não nos satisfaz.

E o que antes era um desvio, uma forma de cabular aula sem nem mesmo sair da sala, tornou-se um incentivo para levantar a cabeça e tentar compreender a humanidade no que dizia o professor. Realmente, compreendo melhor algumas coisas que outras, mas de um ponto de vista mais panorâmico, todas são a mesma coisa e todas são importantes. Não há conhecer mais disso, ser melhor naquilo, não há conhecimento dessa forma ou desse jeito. Não há sou melhor nisso, e você nisso, portanto, não nos misturemos. Talvez ser de “Humanas” seja a melhor forma compreender o quão legal são as “Exatas”.

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