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Preciso Falar – Comportamento e ética industrial nas escolas privadas de grande porte.

Visualize um lugar, com diversas pessoas se dedicando à uma mesma atividade que gerará um produto específico. Neste lugar, qualquer tentativa de desvirtuar o trabalho, ou seja, ócio, será punida com expulsão. Os indivíduos deste espaço estão privados de conversar entre si, cantar, assobiar, pentear-se, brincar, ler, comer. Eles precisam chegar em um horário especifico, e se, por acaso, houver atrasos, serão punidos. O momento de comer são de rígidos trinta à quarenta minutos, tendo que retornar aos seus postos assim que o sinal tocar. Se houver atrasos, novamente, serão punidos. Sua ocupação é exercida até o fim do expediente, geralmente de cinco à seis horas. Qualquer tentativa de subverter esse sistema é encarada como dissidência e punida com privações.

O leitor pode ter imaginado uma fábrica europeia do século XIV, mas o cenário que construímos é muito mais real e próximo do que as indústrias. Estou falando das salas de aula, em especial das com ar condicionado que as grandes escolas privadas mantém, as do Ensino Médio privado.

Quando descrevemos da maneira do primeiro parágrafo, acredito que o sistema educacional privado brasileiro parece mais assustador do que é na prática. O objetivo é estabelecer uma comparação entre o sistema das escolas brasileiras privadas com o adotado nas fábricas da industrialização europeia e trazer uma verdade que, muitas vezes, é difícil de compreender: “a escola é um ambiente de socialização para o trabalho fabril”. O que isso significa? Significa que os seus filhos estudam para trabalhar e, o pior, já estão trabalhando.

O trabalho fabril é exercido no objetivo de conseguir um produto. Esse produto não é desejo do trabalhador, é exigência da empresa, é ela quem quer produzi-lo. E que produto o estudante tem produzido, e que não é do seu interesse? As notas que sua escola colocará num outdoor.

O marketing das escolas privadas brasileiras modernas está, em sua maioria, resumido a expor cartazes de alunos sorridentes acompanhados de um “1° lugar” em algum concurso público. As escolas privadas expõe suas taxas de produtividade superiores na região, divulgando quantos alunos ingressaram em universidades, e quais as suas respectivas notas. E você pensa que isso é para valorizar os alunos que, com muito esforço, conquistaram seus devidos resultados? Não, o objetivo das empresas da educação é apenas um, conseguir mais contratantes para pagar por seu serviço. E elas o conseguem oprimindo educadores e educandos, forçando um sistema cujo o objetivo não é colocar seu filho na universidade, mas conseguir notas elevadas para o status da empresa. Você literalmente está pagando para seu filho ser escravo.

Há quem vá culpar o professor e os coordenadores pelos abusos cometidos no ambiente escolar privado. Mas o verdadeiro agente da opressão não é os educadores que, deixando claro que falo do sistema privado de educação, já possuem uma visão transformada de pedagogia, e buscam construir conhecimentos novos e promover debates em sala de aula. Os educadores, nesta circunstância, como o aluno, são oprimidos. Por quem? Pela administração escolar.

É preciso esclarecer, o sistema que aqui está sendo destrinchado é o usual das escolas privadas de grande porte, especificamente da cidade de Fortaleza, que possuem indicadores assombrosos de ingressão em vestibulares, com altas colocações por sinal.

O que é jogado para você no outdoor é apenas o resultado, o 1° lugar em Medicina, mas o que as instituições escondem é todo um sistema de restrição e opressão para conseguir o produto final, que gera a ótima colocação.

O aluno, como todo trabalhador, prefere o ócio. Para ele, é mais atrativo se divertir que estudar. Mas essas escolas poderosas precisam que seus alunos sejam nota mil, passem as férias, garantia constitucional, “se reciclando”, ou seja, estudando. E esse investimento maciço em criar “estudantes estudiosos” não está relacionado ao acumulo de conhecimento cientifico e social, ou à construção de um profissional qualificado para o mercado de trabalho. Essa realidade se torna visível ao observarmos o que esses estudantes realmente chamam de “estudo”. Noventa por cento do “estudo” dos alunos do Ensino Médio privado, especialmente de segundos e terceiros anos, é resolver questões de vestibulares. E podemos ter plena convicção de que isso não traz nenhum conhecimento.

Então você diz, “Isso é para que ele ingresse na universidade”. De fato, o aluno se esforça para ingressar na universidade. Os professores e coordenadores buscam o mesmo. Mas a administração da escola diz o seguinte “Esses alunos precisam tirar notas ótimas nos vestibulares, para que nós possamos ter garantido nossa sobrevivência no mercado”. A nota, resultado do esforço do seu filho, vai ser usada para que a empresa educacional lucre mais ainda.

E como podemos averiguar que as instituições privadas de ensino estão realmente forçando os alunos a ter boas notas, a fim de divulgar seus resultados como se o mérito fosse da instituição? Olhe ao seu redor, veja as propagandas, os outdoors. Não se fala do sistema escolar, de como a escola trabalha, dos seus projetos, seu diferencial, mas sim das notas. Não se fala do meio, se fala do fim, porque para essas escolas, e para você, pai e mãe, o que importa é o fim, não o meio. Mas para o seu filho, o meio vale anos de dedicação, de privações, vale a construção de um futuro cidadão, cuja formação é alienada à função de operário, ignorado todo seu potencial sociocultural e científico, servindo ao mesmo ritmo que foi quebrantado na escola.

A problemática fica evidente, e até grotesca, na formação de turmas avançadas, com objetivo de alcançar determinados vestibulares, ou que assinam compromissos de participar de olimpíadas. Estudantes dessas mesmas turmas avançadas não ganham valor nenhum a mais no mercado, porém, através do falso discurso de que serão melhor instruídos para os vestibulares, são usados como ferramenta para os reais objetivos da empresa, alcançar resultados que atrairão novos contratantes.

Reportagens de 2015 evidenciam que as três escolas fortalezenses colocadas como entre as vinte escolas com melhores resultados no ENEM 2015 possuem permanência de apenas 20% dos alunos. Ou seja, 80% dos alunos foram matriculados no ano do vestibular. Outras reportagens denunciam instituições escolares que usam dois registros, sendo um para os alunos de turmas avançadas, e outro, para os demais alunos, fraudando assim o ranking do ENEM. A situação ficou tão extrema que, em decisão honrosa, em 2017, o Ministério da Educação optou por, finalmente, descartar o ranking do ENEM, usado apenas para a propaganda das grandes escolas privadas.

Infelizmente há o conceito do grande culpado ser o professor, ele é o opressor. Mas essa visão está equivocada. O opressor é o sistema, sistema esse construído pelos administradores das empresas da educação, cujo objetivo é produzir e gerar lucro. As salas de aula jamais serão democráticas se persistirmos nesse ambiente escolar em que as grandes empresas educacionais impõem aos alunos o dever de conseguir elevadas notas em vestibulares, alegando que o aluno de sua escola tem bons resultados. E, após que o resultado é obtido, divulgarem a nota alcançada como mérito da escola, quando o verdadeiro merecido é o aluno. O aluno não é beneficiado pelo sistema da “escola benevolente”, ele é quem conquistou seu direito de ingressar na universidade, direcionado pelo educador, o único com quem o mérito deve ser compartilhado.

Apesar dos avanços, o comportamento empresarial dos educandários privados vai persistir, por conta da mentalidade de seus administradores, que pressionam os funcionários para que tomem posturas mais duras em sala de aula, a fim de conseguir o produto desejado.

Você paga a escola. Se ela ensina seu filho para ele passar na universidade, é obrigação dela. Mas passar na universidade é ação do seu filho. Ele precisa querer, ele precisa escolher o que cursar, e se esforçar para tirar a nota necessária para ingressar no desejado curso.  A escola não tem direito de expor seu filho e a nota que ele conquistou, como fruto do seu sistema repressor e abusivo, que tirou tardes, noites e até madrugadas do seu filho, um tempo que ele poderia ter dedicado à verdadeira produção cientifica, cultural e social.

Resguardados por lei o dever da educação para fins de mercado de trabalho e formação social, as escolas privadas de alto porte tem se desviado do fim de gerar bons profissionais e cidadãos e se dedicado à obtenção de notas elevadas em vestibulares. O sucesso de uma escola deveria ser atribuído ao nível de satisfação dos seus clientes e funcionários, ou seja, alunos e educadores. Uma escola com alunos que desejam abandonar o estudo e professores desestimulados, mas que possui alta aprovação no ENEM, não é uma escola, é simplesmente mais uma empresa que busca vender seu produto.

Uma educação falsa está sendo vendida neste país, tome cuidado aonde você coloca seu filho, pois a nota alta que ele será pressionado a conseguir vai contribuir para as estáticas de aumento de depressão, insatisfação com a vida, abandono do estudo e pior, suicídio.

Precisamos tornar a escola um ambiente atrativo, para educandos e educadores. Mas para isso é de importância minar o poder de administradores que desejam impor seu anseio por produtividade, e favorecer empresas educacionais com verdadeiro compromisso de construção do aluno como profissional e cidadão. Escolas que busquem o sucesso do aluno, não o seu próprio.

Os pais precisam monitorar as atitudes das instituições de ensino. Os alunos e educadores precisam ter abertura para dialogar com a direção sobre os problemas que encontrarem, e a direção precisa ouvi-los e investir para que o ambiente torne-se agradável à educação. Quanto ao Estado, deve aprovar leis e políticas que inibam a permanência e o surgimento de mais empresas desumanas para o mercado educacional. Precisamos “desostilizar” as salas de aula, pois um ambiente hostil ao aluno e ao educador, é hostil a educação.

Brexit – Reino Unido sai da União Europeia.

Brexit – Reino Unido sai da União Europeia.

Esse final de semana foi bem agitado para a política internacional. Em plesbicito, realizado na quinta-feira (Dia 23/06) e tendo resultado divulgado na sexta-feira (Dia 24/06), a população do Reino Unido declarou insatisfação com a União Europeia e decidiu que o país não permanecerá no bloco econômico. Angela Merkel, a chanceler alemã, François Hollande, presidente da França, assim como o primeiro-ministro da Itália e inúmeras outras autoridades da Europa estão reunidas hoje para discutir o Brexit, junção das palavras do inglês “Britain” (Grã-Bretanha) e “exit” (Saída), usado para nomear a saída do país do bloco econômico.

 

Mas por que um país deixaria a União Europeia, que, na cabeça de um latino, é tão rica e produtiva para o crescimento da Europa? As razões confundem-se, mas tudo na política é parte de um processo, e não foi do nada que uma das nações mais poderosas do mundo e da União Europeia decidiu simplesmente sair de um bloco que, até agora, nunca tinha perdido um membro.

Primeiramente, precisamos entender o que é o Reino Unido. (Essa foi uma pergunta que me fizeram muito no final de semana) Reino Unido é um Estado soberano formado por quatro nações: A Escócia, a Inglaterra, a Irlanda do Norte e o País de Gales. Para explicar melhor, são quatro nações distintas, com primeiros-ministros próprios, cultura própria e até diferenças judiciais, mas todas são unificadas debaixo do mesmo chefe de Estado e do mesmo parlamento. Todas as nações do Reino Unido são subalternas a uma monarquia constitucional reinada por Elizabeth II e existe o Parlamento do Reino Unido, com sede na capital do UK (Sigla para “United Kingdom”, Reino Unido em inglês), a famosa cidade de Londres.

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Sede do parlamento britânico em Londres

Em segunda mão, precisa-se compreender a União Europeia. Após a Segunda Grande Guerra, a Europa precisou reinventar-se politicamente. O continente estava arrasado. Através de diversos tratados, as nações aos poucos foram sentindo cada vez mais a necessidade de se unirem, formando os primeiros blocos econômicos do mundo. Hoje, a UE promove a união dos países membros, com integração econômica através da Zona do Euro (Países que tem o euro como moeda oficial), da livre circulação de capitais, mercadorias e pessoas. O poder da UE é tamanho, principalmente na economia, que é considerada (Apesar de ser um bloco econômico) uma superpotência, com representação no G8 e na ONU.

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Sede da União Europeia em Bruxelas

O Reino Unido ingressou na União Europeia em 1973. Os motivos que levaram uma maioria britânica a votar pelo Brexit foram, segundo eles, a incapacidade da União Europeia em lidar com a situação dos imigrantes e o investimento absurdo feito pelo Reino Unido no bloco, enquanto o mesmo não tinha como principal foco investir no Reino Unido, um dos mercados mais sólidos da economia global. Mas as coisas não ficaram complicadas apenas recentemente, desde a adesão do UK à UE, o Reino Unido tem posto dificuldades e limites, não aderindo à Zona do Euro, permanecendo com sua moeda, a libra esterlina.

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O primeiro-ministro do Reino Unido, David Camaron.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Camaron, em sua eleição, reconhecendo a insatisfação popular com a União Europeia, prometeu a realização de um plebiscito sobre a permanência do país no bloco, porém o partidário, que se posicionou contra o Brexit, acabou por perder a campanha pelo Bremain (junção das palavras do inglês “Britain” com “remain”, que significa “Grã-Britânia permanece”). Logo após o resultado da votação ter sido liberado, Camaron renunciou ao cargo e anunciou que permaneceria até Outubro. O próximo primeiro-ministro deve ser eleito até dia 2 de Setembro. Por hora, não temos nenhum candidato confirmado.

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Interior da Bolsa de Valores de Tóquio.

As bolsas de valores, voláteis como são, foram as primeiras a sentir o impacto do Brexit, antes mesmo da confirmação da saída do Reino Unido. De imediato, as bolsas na Ásia despencaram. Shanghai, Hong Kong, Sidney e Tóquio passaram por apuros. A bolsa de Tóquio caiu 7,92%. A última vez que a principal bolsa de valores japonesa, uma das mais dinâmicas e importantes do mundo, sofreu tal queda foi naquele triplo desastre em 2011, quando o Japão foi atingido por um terremoto, seguindo de um tsunami e um desastre nuclear em Fukushima. A subida do preço do iene também apavorou os japoneses, já que o Japão é visto como posto seguro para guardar o dinheiro em tempos de crise, devido ao baixíssimo preço da moeda japonesa. Manter o iene barato é fundamental para a economia japonesa.

 

Os mercados futuros da Europa e dos Estados Unidos também foram abalados. O próprio dólar enfrentou quedas. E a BOVESPA, a Bolsa de Valores de São Paulo, a principal da América Latina, além de sofrer com a crise brasileira, terminou em queda esse final de semana por causa do Brexit.

Os 51,9% dos britânicos que votaram a favor do Brexit assombraram de tal forma a economia que mesmo os bancos do Reino Unido precisaram se preparar, com a libra esterlina atingindo o menor valor em relação ao dólar em 31 anos. A bolsa de Londres operou com queda de 8%. As ações dos principais bancos da Bolsa de Valores de Londres apresentaram queda de 30%. A bolsa de valores de Madrid abriu com 15,90% de prejuízo, e as outras bolsas europeias sentiram impactos parecidos.

Não tão imediatas quanto na economia, as consequências políticas ainda são rápidas o suficiente para abalar toda a estrutura global. Assim que o Brexit foi confirmado, surgiu o Frexit e o Nexit, ou seja, “France exit” e “Netherlands exit”. Basicamente, a vitória e o sucesso do plesbicito para os nacionalistas britânicos, deu força também para movimentos “separatistas” na França (France em inglês) e Países Baixos (Netherlands em inglês). Merine Le Pen e Geert Wilders, deputada e deputado de extrema direita da França e Holanda, respectivamente, já levantam hipóteses sobre referendos idênticos em seus países. Movimentos da Suíça, Áustria, Itália, Grécia, Dinamarca, inúmeros partidos europeus de direita estão agora militando por consultas populares a respeito da permanência de suas nações na União Europeia, o que preocupa Bruxelas (Capital da UE).

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Bandeira da União Europeia

O fim do bloco é impensável para os líderes dos governos, porém certa parcela europeia discorda e acha que o fim da União Europeia está próximo.

Em longo prazo, temos outros conflitos desenvolvendo-se. Não sendo mais parte da União Europeia, a relação do Reino Unido com as principais potências europeias fica prejudicada, e a histórica aliança com a França, desenvolvida durante as duas grandes guerras, passa a desinteressar ao país francês, que pretende endurecer para o Reino Unido, mostrando a todas as nações europeias a que tipo de isolamento estão suscetíveis aqueles que decidirem apartar-se da União Europeia. Hollande, presidente da França, e outros chefes europeus, exigem uma saída rápida da Grã-Bretanha. Merkel, a chanceler alemã, parece ser mais

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Angela Merkel, chanceler da Alemanha.

compreensiva, entendendo que será preciso tempo para o Reino Unido se entender fora do bloco econômico, e está disposta a esperar, dentro do que é previsto pelo artigo 50 do tratado de Lisboa, 2009 (A última drástica intervenção na lei europeia). O artigo 50 prevê a saída de um país do principal bloco econômico europeu, e afirma que o processo deve se dar em apenas dois anos.

Para a União Europeia, significa procurar uma nova superpotência econômica e uma cidade com movimentação de capital tão intensa quanto Londres. Para França e Alemanha, isso significa estreitar relações e tentar suprir o rombo que o Reino Unido deixará investindo uma na outra.

E o que isso significa para os países não europeus? Para nações como o Japão, talvez não

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Cidade de Tóquio, capital do Japão.

seja uma mudança muito feliz. A situação foi tão extrema que no sábado, dia 25/06, representantes do Banco do Japão fizeram uma reunião de emergência para discutir os devastadores impactos do Brexit sobre a terceira maior economia do mundo. O Japão construiu diversas fábricas na Grã-Bretanha (Devido à facilidade de investir no local). Dessas fábricas, toda a tecnologia japonesa era distribuída para Europa com baixo custo, devido à livre circulação de matéria e capital entre os países da UE. Agora que o Reino Unido entrará em processo para sair da União Europeia, o Japão e os países com fábricas no UK destinadas a distribuir para toda União Europeia precisam achar um novo forte de investimento, sendo o mais próximo e visto, a Irlanda. Ou seja, inúmeros cidadãos com os empregos em fábricas de transnacionais não britânicas estão agora ameaçados. O Brexit, como já havia sido alertado pelo governo britânico, vai aumentar a taxa de desemprego.

A situação é parecida para os comerciantes britânicos que dependiam de negociações com a União Europeia. Sendo Londres o principal centro desse comércio, obviamente, a maioria londrina votou pela permanência no bloco, porque assim, a cidade poderia continuar sendo o cerne da comercialização na Europa. Então, entramos num próximo mérito, o Reino Desunido.

A votação foi extremamente caótica quando divulgada. Escócia e Irlanda do Norte votaram pela permanência no bloco, os londrinos e ingleses de grandes cidades fizeram o mesmo, porém a população interiorana da Inglaterra e o País de Gales decidiram pelo Brexit. Como manter unido um reino de quatro países em que dois votam uma coisa e dois outra? Como manter unido um país em que a capital votou uma coisa e o resto do país outra? Foi assim que o Reino Unido e a Inglaterra se encontraram.

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Nicola Sturgeon, primeira-ministra da Escócia

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que encabeçou o plebiscito pela independência da Escócia em 2012, declarou que, já que mais de 60% dos escoceses “veem seu futuro como parte da União Europeia”, está claro e evidente que o povo escocês e o resto do Reino Unido estão divididos, de maneira mais intensa que antes. Com esse argumento, a primeira-ministra pretende convocar outro referendo pela independência da Escócia. Irlanda do Norte não fica atrás, seus líderes republicanos desejam consultar a população para unificar as “Irlandas”, a República da Irlanda e o Reino da Irlanda (Irlanda do Norte). Caso o Reino Unido não satisfaça mais a população norte-irlandesa, o reino se unirá com a República da Irlanda.

De todas as possibilidades e movimentos, certamente o mais impressionante foi a coleta

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Cartazes de manifestantes apoiadores do Reino Unido na União Europeia dizendo “Vote para permanecer”

de assinaturas e procura de apoio para a independência de Londres. De diversas formas, o Brexit ameaça destroçar o Reino Unido em diversos países.

E para o Brasil? Isso influencia em algo? Qualquer coisa que acontecer num país influência em todos, ainda mais quando se trata da União Europeia e do Reino Unido. Os impactos foram maiores que a queda nas ações da BOVESPA. A MERCOSUL perdeu o principal aliado para uma parceria que há anos vem buscando com a União Europeia. O Reino Unido era o principal apoiador dessa parceria. Porém o presidente interino, Michel Temer, se posicionou sobre o assunto: “O Reino Unido decidiu por uma consulta popular. Portanto, decisão política nós não vamos discutir. Precisamos verificar quais são as repercussões econômicas que possam atingir o Brasil. Meirelles vai se encontrar com o representante do governo britânico, com quem vai discutir essas questões”, afirmou ele em entrevista para a Rádio Estadão.

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Interior da BOVESPA, São Paulo

Temer destacou que temos que respeitar a soberania de todas as nações e os desígnios populares. O que o povo britânico decidiu, não compete à nação brasileira, porém é da nossa importância analisar os impactos no Brasil e nos brasileiros (Principalmente para os residentes no Reino Unido), visto que o tratado com a União Europeia era uma das maneiras imediatas do governo Temer para tirar o Brasil da crise. Na mesma sexta-feira em que o Brexit foi confirmado, o presidente interino escalou o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, para reunir-se com o diplomata britânico no Brasil para discutirem o Brexit para o Brasil. O Reino Unido declarou interesse em ampliar as relações com o Brasil.

Os Estados Unidos também se posicionaram a favor do povo britânico e afirmou que seu relacionamento histórico com a antiga metrópole não muda.

Encerrando por aqui a linguagem jornalística que o artigo acabou assumindo, gostaria de comentar o que eu penso sobre o Brexit. Sempre que eu falo de guerras com meu irmão, ele me pergunta quem é o bem e o mal e eu respondo “Numa guerra não existe bem e mal, apenas lados”. A política é uma guerra e, da mesma forma, não existe bem e mal, apenas lados. Todas as coisas que acontecem, ainda mais em escala global, serão boas para alguém e ruins para outrem. Se o Brexit foi bom ou ruim, é difícil dizer. Foi uma mudança, e mudanças são ruins quando não são esperadas. O mundo precisa mudar, a geopolítica existe de mudanças. Por fim, espero que as nações tenham maturidade para seguir com calma diante desses fatos e que cada uma possa enfrentar da melhor maneira para sua população.

Todas as informações aqui foram obtidas de diversos jornais. O objetivo do artigo é reunir o maior número de informações possíveis até o momento.

 

Novidades!!

Passei todos os primeiros meses desse blog pensando “Mas eu nem sei pra quem eu tô escrevendo!”. Eu simplesmente não fazia ideia do que ia falar nesse blog, do que eu poderia ou não falar, do que eu queria ou não. Eu não sou escritor de contos, apenas, tão pouco poeta! Eu faço poemas e contos, mas não faço apenas isso! Porém, uma ideia brilhante veio na minha cabeça! Por que não falar de tudo? Tem mesmo que só falar de uma coisa? Então eu vou mudar tudo por aqui, se quiser que esse blog cumpra sua função, que é alcançar o máximo de pessoas possível. Afinal, se eu quiser expor minhas ideias, elas tem que ser chamativas e verdadeiras. Tem que ser minhas.

Sem falar, que eu só tenho 15 anos. Não quero que, com 15 anos, todos me vejam como um escritor ultrapassado, que vive de contos e poemas. Escrever para mim é mais que uma atividade corriqueira que eu faço em cinco ou dez minutos. Viver de contos e poemas não é ruim, mas está longe do que eu quero para a minha vida inteira como escritor e ser humano. Eu tenho opinião, eu tenho experiências, e eu quero contá-las. Então hora de ousar e ter coragem para expor o que eu realmente quero.

Para isso não ser desorganizado, vou dividir o blog, a partir de hoje, em “programas”, “tags”. Cada post vai ter um estilo diferente e você saberá do que eu vou falar antes mesmo de começar a ler! Esse negócio de querer que o leitor saiba o que vai ler antes de começar, faço isso até nos meus livros! (Quando os publicar, vou falar sobre isso) Gosto que a pessoa comece a ler sabendo que vai gostar. Serão os seguintes programas (Vou chamar de programas porque foi o que veio na cabeça. kkk):

Eu queria conhecer… – Eu queria conhecer José de Alencar, Chiquinha Gonzaga, Maria Quitéria de Jesus, Hatshepsut, Alberto Nepomuceno, Dido, Barão do Rio Branco, Pedro II, C. S. Lewis, Marie Curie… Mas quem são essas pessoas? Por que elas são importantes? O que elas fizeram? Certamente algumas você deve conhecer, outras, nem tanto, mas é por isso mesmo que eu quero contar a história deles! Histórias de grandes mulheres e homens que mudaram o mundo na sua época e foram muito mais do que se imaginava! Grandes figuras da história global e/ou brasileira! Se você gosta de história como eu, então vai amar! O “Eu queria conhecer” será postado religiosamente, eu pretendo, às segundas.

Literando – Eu sei, o nome é esquisito, mas vai servir bem. kkk Toda vez que você ler “Literando” antes de algum título, preveja que eu vou literar bastante. rs Todo post Literando vai ser um conto, uma crônica, um poema, algo que esteja diretamente vinculado com a minha produção artística-literária. Tudo que eu venho postando ultimamente, praticamente, se encaixa aqui. O “Literando” não terá dia oficial para ser postado, e só postarei quando tiver um texto realmente bom para divulgar, então vai depender da criatividade.

Preciso Falar – Sabem, eu falo demais, pior, eu opino demais! Por isso que brinco que nunca sobreviveria a Ditadura Militar! kk Afinal, eu não sei ficar calado. Então, quando eu precisar falar, vou avisar antes do título colocando “Preciso Falar”. Assim, já estaremos cientes que eu vou opinar sobre algum tema. Pode ser política, cultura, educação, igreja, economia até. Eu estava meio receoso de dar minha opinião ou falar do que eu acredito, com medo da repercussão, mas a gente opina para repercutir, independente dos danos a nossa imagem! kkkk  Existe muita coisa que eu realmente preciso falar, por isso, posso garantir muitos “Preciso Falar”. kkk O “Preciso Falar” também não terá um dia oficial, será postado quando eu tiver uma boa opinião, digna do público.

Eu queria que existisse… – Eu amo desenho animado, séries, novelas, filmes, livros… Além de gostar de saber de coisas que existem e que estão acontecendo, gosto de saber também do que é criado, inventado da cabeça de engenhosos e engenhosas escritoras e escritores, desenhistas, roteiristas, atores e atrizes… Então vou falar dos personagens que mais marcaram e porque os considero importantes! Sim, eu queria que existisse a rainha Elsa, a princesa Merida, a guerreira Mulan, o peixe-palhaço Marlin e a peixinha Dory, a índia Iracema, o poderoso Poti, a corajosa Anastácia, a poderosíssima Korra, e muitos outros personagens fictícios que marcaram a minha história! (Falo como se tivesse vivido muita coisa…) Tem muitos personagens sobre os quais eu gostaria de falar! O “Eu queria que existisse…” será postado às sextas-feiras!

Meus Projetos – Eu já lancei um Meus Projetos aqui, e o programa vai continuar. Através dos Meus Projetos eu vou divulgar detalhes da minha “vida profissional” como artista, e não falo apenas como escritor. Eu não tenho como definir um dia para os Meus Projetos, afinal, são coisas que vão acontecendo e eu divulgo. Então, eles vão eventualmente ser postados nos dias úteis desse blog (Que serão os domingos, as segundas, as quartas, as sextas e os sábados. Eu não vou postar nas terças e quintas, pelo menos eu não pretendo fazê-lo muito.).

Apartado – Uma vez ou outra pode surgir um texto que não se encaixa em nenhum dos programas oficial. Estes serão indicados como “Apartado”.

Então é isso, obrigado por ler e, se Deus quiser, eu vou prosseguir com esse blog. Me ajude com isso! Curta, siga o blog, compartilhe, comente! Se gostou do meu trabalho, me divulgue! Siga-me no Twitter, @CaioJose25, no Google+, em Caio Galeno, ou no Facebook, em Caio José Galeno.

 

 

Preciso Falar! – O interesse por educar e o desejo por aprender no Ensino Médio.

Em 2015 o governo adotou o lema “Pátria Educadora”. No mesmo ano foi lançado o projeto de lei da Base Nacional Comum Curricular, que estava disponível para consulta popular até o dia 15 de Março de 2016. A preocupação com a educação é crescente e necessária para uma nação emergente, pois a educação desempenha papel central na construção de uma sociedade.

Todavia, o Brasil é líder em falta de comportamento em sala de aula. O domínio de sala, essencial ao educador, tem se tornado difícil e cerca de 20% da aula é perdida com o professor tentando chamar atenção para o conteúdo. O Ensino Médio tem sido o mais prejudicado, ou seja, os jovens, próximos de ingressar na universidade, tem perdido seu tempo com descontrole em sala de aula. A escola simplesmente perdeu seus atrativos e se tornou um ambiente chato e desinteressante, forçando os alunos a desviarem-se dos assuntos escolares para coisas mais “divertidas”.

O desapego em investir na educação é antigo na história brasileira, mas vem mudando ultimamente. Hoje, reconhece-se a importância da escola. porém esta tem se desvirtuado, a medida que mais e mais pessoas tem acesso à educação.Vai-se a escola para ter uma vida próspera monetariamente, porque ser rico passou a ser sinônimo de “bom futuro” e tornou-se a prioridade dos alunos. Não há mais interesse em aprender, a educação transformou-se em um meio para um fim. Um meio para alcançar o sucesso, ou seja, dinheiro e reconhecimento, quando educar-se por si só já deveria ser o objetivo.

Mas como desenvolver o interesse pela aprendizagem? A escola funciona pelo conhecer, não das ciências, mas dos seres humanos. A partir do momento que os professores podem conectar-se com seus alunos e educandos com seus educadores, uns conhecendo os outros, o professor passa a ter em suas mãos o conhecimento para expor seu conteúdo de uma forma atrativa. A escola precisa dar independência ao professor para trabalhar com cada turma segundo a sua visão pedagógica. A instituição deve funcionar não como provedora da educação, mas como fiscalizadora dos profissionais, garantindo que os professores façam seu trabalho, que é prover educação humanizada.

O ambiente educacional brasileiro deve ser desenvolvido com amor. Se não houver paixão do educador por ensinar, se ele não tiver prazer pelo seu trabalho, não poderá dar aos alunos algo que seja interessante a eles. Se a escola tornar-se um ambiente prazeroso ao professor, será para os alunos. Se as aulas forem dinâmicas, buscarem interdisciplinaridade além de sucesso nos vestibulares, certamente haverá um aumento pelo interesse em educar-se. É preciso conhecer melhor a juventude, entender o que é divertido para ela, para que o meio de apresentar a educação molde-se de acordo com os educandos e educadores, garantindo a todos um espaço agradável. Se a preocupação com o educando for real e se a valorização do educador for maior, certamente o Brasil terá um povo mais livre e destacar-se-á com mais clareza no cenário global, porém não mais em listas de países com problemas de falta de controle em sala de aula.