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Passei todos os primeiros meses desse blog pensando “Mas eu nem sei pra quem eu tô escrevendo!”. Eu simplesmente não fazia ideia do que ia falar nesse blog, do que eu poderia ou não falar, do que eu queria ou não. Eu não sou escritor de contos, apenas, tão pouco poeta! Eu faço poemas e contos, mas não faço apenas isso! Porém, uma ideia brilhante veio na minha cabeça! Por que não falar de tudo? Tem mesmo que só falar de uma coisa? Então eu vou mudar tudo por aqui, se quiser que esse blog cumpra sua função, que é alcançar o máximo de pessoas possível. Afinal, se eu quiser expor minhas ideias, elas tem que ser chamativas e verdadeiras. Tem que ser minhas.

Sem falar, que eu só tenho 15 anos. Não quero que, com 15 anos, todos me vejam como um escritor ultrapassado, que vive de contos e poemas. Escrever para mim é mais que uma atividade corriqueira que eu faço em cinco ou dez minutos. Viver de contos e poemas não é ruim, mas está longe do que eu quero para a minha vida inteira como escritor e ser humano. Eu tenho opinião, eu tenho experiências, e eu quero contá-las. Então hora de ousar e ter coragem para expor o que eu realmente quero.

Para isso não ser desorganizado, vou dividir o blog, a partir de hoje, em “programas”, “tags”. Cada post vai ter um estilo diferente e você saberá do que eu vou falar antes mesmo de começar a ler! Esse negócio de querer que o leitor saiba o que vai ler antes de começar, faço isso até nos meus livros! (Quando os publicar, vou falar sobre isso) Gosto que a pessoa comece a ler sabendo que vai gostar. Serão os seguintes programas (Vou chamar de programas porque foi o que veio na cabeça. kkk):

Eu queria conhecer… – Eu queria conhecer José de Alencar, Chiquinha Gonzaga, Maria Quitéria de Jesus, Hatshepsut, Alberto Nepomuceno, Dido, Barão do Rio Branco, Pedro II, C. S. Lewis, Marie Curie… Mas quem são essas pessoas? Por que elas são importantes? O que elas fizeram? Certamente algumas você deve conhecer, outras, nem tanto, mas é por isso mesmo que eu quero contar a história deles! Histórias de grandes mulheres e homens que mudaram o mundo na sua época e foram muito mais do que se imaginava! Grandes figuras da história global e/ou brasileira! Se você gosta de história como eu, então vai amar! O “Eu queria conhecer” será postado religiosamente, eu pretendo, às segundas.

Literando – Eu sei, o nome é esquisito, mas vai servir bem. kkk Toda vez que você ler “Literando” antes de algum título, preveja que eu vou literar bastante. rs Todo post Literando vai ser um conto, uma crônica, um poema, algo que esteja diretamente vinculado com a minha produção artística-literária. Tudo que eu venho postando ultimamente, praticamente, se encaixa aqui. O “Literando” não terá dia oficial para ser postado, e só postarei quando tiver um texto realmente bom para divulgar, então vai depender da criatividade.

Preciso Falar – Sabem, eu falo demais, pior, eu opino demais! Por isso que brinco que nunca sobreviveria a Ditadura Militar! kk Afinal, eu não sei ficar calado. Então, quando eu precisar falar, vou avisar antes do título colocando “Preciso Falar”. Assim, já estaremos cientes que eu vou opinar sobre algum tema. Pode ser política, cultura, educação, igreja, economia até. Eu estava meio receoso de dar minha opinião ou falar do que eu acredito, com medo da repercussão, mas a gente opina para repercutir, independente dos danos a nossa imagem! kkkk  Existe muita coisa que eu realmente preciso falar, por isso, posso garantir muitos “Preciso Falar”. kkk O “Preciso Falar” também não terá um dia oficial, será postado quando eu tiver uma boa opinião, digna do público.

Eu queria que existisse… – Eu amo desenho animado, séries, novelas, filmes, livros… Além de gostar de saber de coisas que existem e que estão acontecendo, gosto de saber também do que é criado, inventado da cabeça de engenhosos e engenhosas escritoras e escritores, desenhistas, roteiristas, atores e atrizes… Então vou falar dos personagens que mais marcaram e porque os considero importantes! Sim, eu queria que existisse a rainha Elsa, a princesa Merida, a guerreira Mulan, o peixe-palhaço Marlin e a peixinha Dory, a índia Iracema, o poderoso Poti, a corajosa Anastácia, a poderosíssima Korra, e muitos outros personagens fictícios que marcaram a minha história! (Falo como se tivesse vivido muita coisa…) Tem muitos personagens sobre os quais eu gostaria de falar! O “Eu queria que existisse…” será postado às sextas-feiras!

Meus Projetos – Eu já lancei um Meus Projetos aqui, e o programa vai continuar. Através dos Meus Projetos eu vou divulgar detalhes da minha “vida profissional” como artista, e não falo apenas como escritor. Eu não tenho como definir um dia para os Meus Projetos, afinal, são coisas que vão acontecendo e eu divulgo. Então, eles vão eventualmente ser postados nos dias úteis desse blog (Que serão os domingos, as segundas, as quartas, as sextas e os sábados. Eu não vou postar nas terças e quintas, pelo menos eu não pretendo fazê-lo muito.).

Apartado – Uma vez ou outra pode surgir um texto que não se encaixa em nenhum dos programas oficial. Estes serão indicados como “Apartado”.

Então é isso, obrigado por ler e, se Deus quiser, eu vou prosseguir com esse blog. Me ajude com isso! Curta, siga o blog, compartilhe, comente! Se gostou do meu trabalho, me divulgue! Siga-me no Twitter, @CaioJose25, no Google+, em Caio Galeno, ou no Facebook, em Caio José Galeno.

 

 

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Literando: Conto-A Casa da Artista.

Meu nome é Melissa. Sou separada, não tenho filho e minha melhor amiga é um poodle. Desde que meu casamento fora arruinado por um adultério desventuroso, minha vida ficou sem rumo. Eu me entreguei de mais ao homem que chamei de meu, e quando vi que ele não era meu, fiquei sem rumo. Eu me dei tanto a ele que, quando ele foi embora, levou a mim mesma. Separar-se dele encerrou minha vida e eu precisava começar uma nova.

O primeiro passo era uma casa, e eu havia encontrado uma perfeita, com um preço perfeito. Uma casa que refletia quem eu era naquele momento, uma velharia esquecida, destroçada, largada. Quando olhei para aquele prédio nada atrativo, pensei “Essa casa me entenderá, ela sabe o que é ser deixada de lado”.

A vizinhança é boa, silenciosa e quieta, talvez até demais. No máximo algumas crianças brincam na rua, mas nenhum tinha coragem de ir para frente da minha nova morada, pois ela as assombrava. A casa tinha ainda os ares do século XVII. Era rústica, bonita, sua fachada era amarelada e os detalhes eram admiráveis. O prédio fora reformado pela última vez há dez anos, e por isso foi vendido por um bom preço. Eu tinha muito que fazer ali.

A parte que eu mais amava na casa era, com toda certeza, seu jardim, o qual chamei “minha alma”. Era um jardim morto, cinzento, e toda vez que eu olhava para a janela e via a mais externa parte da minha casa, via também o mais interno do meu ser. Como feio era o jardim, era minha vida. Pelo menos minha cadelinha nunca me desamparou.

Era incrível sentir a liberdade da casa própria e da “solteiragem”. Tinha que reformar toda aquela casa acaba e usar dos meus dons de pintura e desenho. Eu sou pintora desde pequena, então não seria difícil deixar essa casa menos feia. Eu havia comprado todo o material e faria todo o trabalho eu mesma. Faria tudo devagar e calmamente, como gostava.

– Nina? – Chamei minha amiga, e ela veio até mim, latindo alegre como sempre. – Então, gostou da casa?

Ela me respondeu com dois latidos, que eu entendia muito bem.

– Legal, eu também.

Escutamos um estranho barulho vindo lá de cima. Olhamos para o teto, assustadas. Já trêmula, eu falei.

– O vendedor tinha me falado desses sons. Não sei se vou me acostumar.

O barulho era intenso, era como se o andar de cima estivesse vivo.

– O que você acha da gente subir e ver o que é?

Minha corajosa cadelinha empinou a cabeça e latiu.

– Certo garota, então vamos juntas.

Subimos degrau por degrau. Meu corpo estremecia. Os barulhos aumentavam, eu sentia que havia algo mexendo lá em cima. E quanto mais eu me aproximava, mais perturbado aquilo ficava. Até minha determinada Nina estava cautelosa. Quando finalmente conseguimos chegar ao último dos dezesseis degraus, encontramos o que nos fazia temer a noite… Nada. Não havia nada. Ou melhor, não se via nada.

A cachorra choramingou.

– Nina, se cale.

Eu analisei todo lugar. Havia muitas teias de aranha, as paredes estavam completamente destruídas. Mas não com marcas de deterioração, mas de mãos, faças, balas. Alguém havia destruído aquele lugar. As marcas também se espelhavam pelo chão de madeira. Havia manchas por todo lugar, manchas vermelhas.

– Como não notei isso quando vim aqui pela primeira vez?

Foi então que respirei fundo e senti o cheiro do lugar. Era um cheiro peculiar, moribundo, cheiro de morte. Alguém havia brigado ali e havia terminado em morte.

– Melhor sairmos daqui Nina, vamos.

Quando me virei para descer, Nina estava paralisada, assustada, e latindo vorazmente. O cachorro estava ali, parado, olhando fixamente para o canto da parede, como que visse alguém. Ele latia incansavelmente e tentava espantar o que quer que fosse.

– Nina, você está me assustando. Vamos sair daqui.

Comecei a escutar sons bem baixos, de choro, choro de mulheres, homens e crianças. Elas e eles gritavam socorro, pediam para que alguém os ajudasse. Balancei a cabeça, tentando esquecer, mas parecia que o barulho não estava dentro da minha cabeça, mas fora. Escutei coisas se quebrando, e foi como visualizar o que ocorrera ali no dia 15 do mês de Maio do ano de 1899, sete anos após a família Lima comprar a propriedade. Como eu sei disso? Não sei, mas desde aquele dia, de muitas coisas fiquei sabendo.

Desci correndo, e, desde então, todo dia me são entregues novas imagens, de novos assassinatos. E eu nunca via o rosto de assassino, mas sabia como ele matara cada uma de suas vítimas. Facadas, afogamentos, enterrados vivos, cada um mais criativo que o outro.

Um dia então, descobri, não era um assassino, mas vários. Cada família e pessoa que morou ali se revelou um assassino. A casa continuava a me contar seus segredos e eu estava cada vez mais amiga dela, de tal forma, que até de Nina esquecera. Minha casa passou a ser minha verdadeira amiga. Ela me contava o que sabia e eu o que ela queria. Gostava de ouvir seus conselhos. Ela disse que mudaria minha vida, me faria sentir prazer.

Quando observava as crianças brincando na rua, a casa me mostrava como deveria matar cada uma. Eu me divertia com facadas, pois, dependendo de onde ferisse, poderia ouvir minha vítima gritar e gritar, enquanto o sangue pintava-lhe a pele. Minha casa ensinou-me a ser uma nova artista, artista de corpos. Ela me ensinou a revolucionar a arte. Era assim que me conheciam, esta era a minha marca.

Foi com o desenho de um rosto feliz que encontraram o corpo da minha cachorrinha. Eu não queria enterrá-la, afinal, o que é bonito deve ser exposto, e eu a coloquei na frente da casa, para todos verem. Às vezes, quando a casa lançava-me a vontade de desenhar, fazia no meu próprio corpo ou nas paredes, para saciar à vontade. Eu precisava de algo para matar o meu desejo por criar. E os vizinhos pareceram interessantes.

Uma série de desaparecimentos se seguiu, sete crianças, dois idosos, um casal de adultos, uma jovem e outros dois melhores amigos, que continuaram juntos até a morte. Cada um com um desenho diferente, afinal, sou criativa. Eu sempre expunha minhas obras em suas próprias casas. Eu as pregava nas paredes, na trágica posição de cruz.

Os demais humanos não sabiam reconhecer o meu talento, mas a casa me valorizava, ela me dizia que eu era muito talentosa e que não podia parar. Precisava fazer com que todos me conhecessem. E eu já era bem falada. Obras minhas, quando apareciam, eram estampadas em jornais e a polícia era louca para descobrir quem era a tão brilhante artista.

Depois de sete anos no ofício de pintora e desenhista, me encontraram e me levaram cativa. Longe da casa, eu não podia viver. Quando me puxaram de lá e interditaram-na, foi como arrancar de mim a minha vida. Eu já havia morrido uma vez e não morreria de novo. A casa me ensinou a viver de um jeito que me deixava feliz.

Hoje, trancada numa cela, eu roo as grades e grito todas as noites, sonhando com o dia que retornarei para os braços da minha amada casa, que cuidou de mim e me deu uma vida nova. Eu estava tão só e ela me ajudou a mudar. Ela me ensinou a usar uma nova cor, a cor vermelha. Não conseguia parar de imaginar, quem seria o próximo a morar naquele lugar? E a melhor parte, o que a casa lhe ensinaria de novo?

Literando: Conto – Para onde eu corro.

Então eu corri, para o mais longe que podia. Era só o que podia fazer, fugir, para onde não me conhecessem, e nem quisessem conhecer. Chegar ao além, ao oceano do esquecimento. Onde não lembraria do passado, nem de ontem, nem de hoje. Esqueceria das coisas boas… Mas também das ruins, e o que não faria para esquecê-las.

A distância era grande, mas fugir não era novidade. Nasci entre covardes, uma família abastada que roubava dos pobres, que tinha muito, e por isso achava que podia ter mais. Quando o patriarca caiu nas mãos da juíza, seria preso, mas desapareceu, preferiu ser foragido, deixando para trás seus filhos e tudo que lhe diz respeito. Sim, isto era algo que eu estava disposto a esquecer. Como fui abandonado, como fui machucado, por um corrupto que foi corrupto até para sua família. O único amor do político é o poder.

A mãe não foi mais a mesma, não podia mais sustentar uma vida de luxo. Porque viveu à custa de um marido que não a deixara ser a mulher que queria, restringindo-a de ser realizada, enchendo-a de presentes para apagar sua natureza machista,  agora estava à deriva, e pedia ao lado dos mesmos pobres que o diabo, do qual descendo, roubava todos os dias.

Os nomes da elite mudaram, mas o comportamento era o mesmo. Roubavam-nos, porque tinham muito, e porque tinham muito, deveriam ter mais. A deturpada mente do rico… Maldito é aquele que detém mais do que precisa e que não ajuda ao necessitado.

Eu não poda viver assim. Mas as ruas, companheiras do renegado, apontaram-me o beco dos vídeos que destroem o corpo. Ao provar dos delírios do mundo, senti-me um abençoado com os sonhos da Jurema, do livro Iracema. Cada tragada era como um gole da sagrada bebida dos tabajaras de Alencar. Mais uma vez eu fugia, fugia da realidade, para sentir que tudo era feliz. E meu corpo ia se denegrindo.

Pensava eu que era só uma fase, mas neste mundo não existem fases, existem primeiros passos. Você nunca se liberta de um vício destruidor. Pode até superá-lo, mas uma vez que experimenta e gosta, condena a si mesmo. Seu corpo sempre sentirá a necessidade, mesmo que sua mente a combata.

Milagroso é ver aquele que verdadeiramente é liberto. Eles existem, mas a obra humana é incapaz de entendê-los. Libertos do mundo, filhos da Paz. Corri para eles, pedi por misericórdia. Fui atendido e acolhido. Mas eu não era digno, não podia viver num lugar onde havia a Felicidade.

Então eu corri, para o mais longe que podia. Era só o que podia fazer, fugir, para onde não me conhecessem, e nem quisessem conhecer.  Chegar ao além, ao oceano do esquecimento. Onde não lembraria do passado, nem de ontem, nem de hoje. Esqueceria as coisas ruins… Mas também as coisas boas. E eu estava mesmo disposto a esquecê-Las?

Então Elas vieram até mim e disseram que não me esqueceriam. Foi assim que entendi! Eu não podia esquecê-Las! Eu não era digno, nenhum é, nenhum ser humano é digno da Felicidade que possui, mas Ela, a Liberdade, veio até mim e me fez digno. A bandeira branca da Paz, manchada de sangue, levantou-se sobre mim e fui coberto por ela, e, como nunca me aconteceu, tive abrigo. E habitou em mim a Liberdade.

Hoje eu sou livre, e não corro mais por fuga, mas para libertar os que continuam presos. Hoje, eu corro para você.

 

 

Literando: Conto – A Democracia morreu!

No Brasil, nasci fraca e desnutrida, de um parto forçado, um quase aborto. Fui para a fuga de um imperador e a glória de um militar. Fui liberdade presa e verdade mentirosa. Macularam-me, feriram-me, torturaram-me. Não me deixaram cuidar do povo… Não me deixaram agir… E ainda assim, culpavam-me pelas crises do país. E todos eles, todos meus inimigos, reuniram-se numa assembleia de corrupção, para dar-me um fim adequado aos seus desejos.

Juntaram-se todos, homens viris, maus de coração e torpes em seu proceder.

Autocracia – O povo fala demais. O governo não pode nem mais trabalhar. Essa republiqueta deixou o povo brasileiro muito vigilante, ao ponto de não permitir mais seu governo tomar decisões. Falam de direitos e deveres, como se entendessem de alguma coisa.

Monarquia – Não passam de tolos. Em nossas eras, ficavam quietos, alheios a política. Fazíamos o que queríamos enquanto abestalhado o povo observava. E mantinham-se as coisas como deviam ser: o governo com o poder de mandar, e o povo com o direito de ficar em silêncio.

Autocracia – Eles não entendem que o governo deve governar, pois só ele compreende as verdadeiras necessidades da nação?

Monarquia – Todas as vezes que o povo voltou-se contra meus semelhantes, as coisas não terminaram bem. Vide a França ao derrubar sua monarquia com a Revolução Francesa, apenas para um autocrata assumir, o mesmo com a Rússia, com a Revolução Russa, que culminou numa ditadura.

Autocracia – Pelo menos foram grandes governos em suas eras. Napoleão e Stalin trouxeram ordem aos seus Estados.

República Oligárquica – De fato, mas você se esquece de onde vem o verdadeiro poder. O poder está em quem aparelha o Estado e mantém as contas do governo, ou seja, dos ricos. O poder de votar, de coordenar ao Estado, compete àqueles que contribuem para o movimento da economia, como era comigo.

República da Espada – Ora, calem-se, mal sabem do que falam. Bem sabemos que poderíamos ter tido uma boa república, se certos vermes não tivessem ganhado liberdade. É culpa da mulher, que largou seu lugar nas cozinhas!

Monarquia – É culpa do negro, que deixou seu lugar nas senzalas!

Autocracia – É culpa da liberdade! É culpa dos direitos! É culpa do povo!

Todos dizem em coro – É culpa da Democracia!

Então eu, negra, mulher, minoria e maioria, a Voz das Ruas, voz de quem não tem voz, indaguei:

Democracia – O poder de cada um de vós emana de algo. Do sangue, da hereditariedade, da espada, da injustiça, da tortura. Mas o meu vem dos oprimidos! Eu trago Liberdade, Igualdade e Fraternidade a uma nação que vocês, homens, destruíram! A voz do povo é fiel e pura, é diferente e dissonante. Não é bonita, nem harmoniosa. Mas o Brasil me escolheu. Então que eu seja mártir se preciso, mas não abrirei mão do direito do povo! Do meu povo! Faz parte de mim ouvir e aceitar, mas lutarei, se preciso, até a morte para que os cidadãos brasileiros possam ser livres, de uma vez por todas! Livres da maldade da corrupção e da arbitrariedade! Livres de vós, imundos!

Juiz – Que sentimento bonito, o desejo de proteger os seus. Por permitir aos brasileiros falar e pensar, lhe declaro culpada e será punida com pena de morte.

Democracia – A verdadeira liberdade é ter o direito de morrer pelos direitos de outro.

Literando: Poema – Amor por maldade

  1. À luz do luar
  2. Olho os mares bravios
  3. As lágrimas a fluir
  4. Como a água dos rios
  5. Mente tortuosa
  6. Poupa-me a dor
  7. De recordar a bela prosa
  8. Que escreveu meu amor
  9. Lancei fora minha alma
  10. Dei por Ela a sanidade
  11. Hoje sou escravo
  12. De um amor por maldade
  13. Apesar de sacrificada
  14. Toda minha liberdade
  15. Me ameaça a santidade
  16. De amá-La outra vez

Literando: Conto – Ciências da vida

Os quase trinta alunos tentavam prestar atenção (Mas não dá. É impossível prestar atenção nesse cara. – Dizem-me as companhias). Nada contra o professor, ele é um bom homem, mas de nenhuma forma as aulas de Álgebra nos eram chamativas! Felizmente, em exatos dez minutos o sino tocaria, o professor se calaria, poderíamos sair da sala e comer, afinal, a fome consumia-me. Talvez seja falta de educação escrever enquanto o educador fala, mas tais como vagam os números em cálculos universais, vaga minha mente.

A ideia genial, e indecente, de desviar-me e escrever um pouco, vindo de uma má influência que sentava-se atrás de mim, foi arrebatadora e, tentado por meu vício mortal, afastei-me do conjunto dos irreais para me deleitar numa verdadeira irrealidade, as palavras sem nexo, e os minutos perdido passo a aproveitar neste relato sem sentido

Ouço o barulho ensurdecedor fora da sala, animando-me! Tocou! São 9:50 da manhã, hora do recreio! Todavia o professor pediu que ficássemos para que terminasse de explicar um novo conjunto, no qual minha mente estava, o conjunto vazio.

Vazio de que? De números, de sentimentos? Não sei, não prestei atenção, mas certamente não me animava ficar um tempo a mais. Talvez, quando eu chegar em casa, complete esse trecho com algumas novas emoções. É bom da forma ao que não tem. Enquanto meu professor enchia as vazias mentes de alunos pouco interessados, eu enchia a folha de papel pautado com sentimento e via-me tão importante quanto o educador, afinal, eu também estava moldando coisas.

Um texto é como uma equação, você vai desenvolvendo e, às vezes, por um errinho, temos todo o resultado modificado. Todavia para a escrita não há fórmula. Uma vez um professor de Física explicou-me que a partícula “que”, do português, tem quinze significados segundo o dicionário Aurélio, quando F= m.a tinha uma única tradução; Força igual a massa multiplicada pela a aceleração. Não me pus a provar que ele falava a verdade, mas certamente tinha razão.

Por algum motivo me parecia mais fácil os quinze significados que a “simplicidade” e “comodidade” das fórmulas. Essa pluralidade traz razão a vida. Coisas que são e simplesmente são não me fazem sentido. E por mais que eu busque, por meio filosófico, fervoroso ou científico, encontrar respostas, sei que algumas perguntas não podem ser respondidas, pois não tenho capacidade de compreender suas respostas ou alcança-las por mim mesmo, e isso não me incomoda, pois saber que não posso entender é uma resposta. Como pensador, já muitas vezes deparei-me com enigmas gloriosos que foram respondidos por algo simples: Não sei! E que, assim como a fórmula, não significa nada mais e nada a menos, mas ainda assim é uma resposta.

Talvez não haja mesmo essa divisão; Ciências Exatas, Humanas, Linguagens e Códigos, Artes… Talvez as coisas sejam muito mais amplas e mais simples. Afinal, o conhecimento faz parte da humanidade e a humanidade é complexa, incapaz de se conter ao que dizem os teóricos e observadores, pois está em constante mudança, como quando deitamos num sofá e ficamos nos movendo para achar uma posição e depois de um tempo naquela mesma posição, mudamos para outra, mas esta já não nos satisfaz.

E o que antes era um desvio, uma forma de cabular aula sem nem mesmo sair da sala, tornou-se um incentivo para levantar a cabeça e tentar compreender a humanidade no que dizia o professor. Realmente, compreendo melhor algumas coisas que outras, mas de um ponto de vista mais panorâmico, todas são a mesma coisa e todas são importantes. Não há conhecer mais disso, ser melhor naquilo, não há conhecimento dessa forma ou desse jeito. Não há sou melhor nisso, e você nisso, portanto, não nos misturemos. Talvez ser de “Humanas” seja a melhor forma compreender o quão legal são as “Exatas”.

Literando: A tristeza

A tristeza é um sentimento solitário, que desenvolve-se marginalmente atrás da raiva, da decepção, do remorso. Sua origem é perturbadora, ameaçadora. Por isso, muitas vezes, é deixada de lado, chamada de ruim, sem ser contemplada na sua realidade.

Todavia, a tristeza pertence a sabedoria, pois não é sentimento de dor, mas de reflexão. A tristeza é consequência das más ações e aponta-nos cada uma delas. A odiamos, pois ela é sincera e amiga para dizer-nos, trazer-nos à verdade. A verdade culpa-nos, julga-nos, e responsabilizamos a tristeza pela incômoda verdade.

O humano ama a mentira, pois nela somos direitos, corretos, sensatos, mas apartamo-nos da verdade, que apenas aponta-nos pecados. A tristeza é do sábio, pois traz a reflexão, que revela a verdade. Negar à tristeza seus momentos, não vivê-los como vivemos os alegres é impedir-se de usufruir da verdade, que gera bondade, amor, compaixão e alegria. Nunca estar triste é nunca poder ser feliz.